Cultura e representatividade em cena

Comportamento

Cultura e representatividade em cena

Em um cenário promissor, mas pouco explorado na produção audiovisual da região, disciplina do curso de Design da Univates incentiva estudantes a criarem curta-metragens e documentários com temas relevantes que ganharam o coração da comunidade

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Cultura e representatividade em cena
Luiz Pedro conta que o curta já foi exibido em eventos LGBTQIA+ e no Sarau do Diretório Acadêmico dos cursos de Letras e Pedagogia / Crédito: Júlia Amaral
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 03

Foi por meio da disciplina de Edição de Vídeos do curso de Design da Univates que Luiz Pedro Prisco, Luísa Born e Bruna Espíndola deram vida ao curta-metragem “Luna”. A produção retrata o tema da transexualidade em 22 minutos de filme. Apesar das gravações amadoras feitas em sala de aula, o trabalho foi exibido em eventos LGBTQIA+ e no Sarau do Diretório Acadêmico dos cursos de Letras e Pedagogia.

Coordenador do projeto, Bruno Souto Rosselli ministra a disciplina há oito anos. Ele conta que neste semestre a entrega final foi a criação do filme que poderia ser um curta de temática livre. A repercussão dos trabalhos foi além da sala de aula. “O resultado foi muito satisfatório, alguns publicaram no YouTube, outros em seus grupos. Então foi muito bacana”, conta o professor.

 

Diversidade

O curta-metragem “Luna” foi adaptado de um roteiro escrito por alunos do Gustavo Adolfo, em 2016. “Fizemos algumas mudanças, porque não tínhamos um leque grande de atores. Além disso, as idades não eram compatíveis com o contexto do roteiro, porque eram pessoas muito jovens”, destaca Luiz Pedro.

O filme conta a história de uma mulher trans de 19 anos que morava com a família e era agredida pelo pai. Depois de fugir de casa, encontra o Ju e a Aurora, amigos gays que a acolhem. “Pensamos nesse tema pela importância dos transexuais se verem ali na história e para podermos refletir sobre como eles são tratados na sociedade”, conta Luiz Pedro.

Protagonismo

A protagonista do curta foi interpretada por Kell Bart, que também auxiliou na montagem e edição do curta. Luísa Born conta que o grupo não tinha conhecimento sobre cenografia e equipamentos. “Gravamos muitas cenas várias vezes e depois tivemos que fazer as escolhas certas para que de fato o curta passasse a mensagem que gostaríamos”, destaca.

Luísa diz ter se sentido no dever de contar a história. “Me emocionei várias vezes nas cenas de violência e nas em que a Luna vai pra uma festa e se diverte, justamente por saber como é essa sensação. Somos pessoas que fazem parte de uma comunidade e não fazemos mal a ninguém, mas fazem mal conosco e isso precisa parar”, ressalta.

 

Nostalgia compartilhada

Outro produto da aula de Edição de Vídeo foi o documentário “Skate”, dirigido pelo publicitário Pedro Bigão e pelo estudante João Vitor Mantovani Manica. Apesar de já estar formado e não ter mais contato com a universidade, Bigão quis se envolver com a montagem pela relação com o tema.

Sobretudo no fim dos anos 1990, a prática popular entre os jovens formou amizades e consolidou uma comunidade própria que foi registrada em vídeos por Bigão, em especial, nas pistas de skate de Estrela e Lajeado. Quando conheceu Manica, surgiu a ideia de produzir um documentário que unisse as capturas antigas com produções atuais e entrevistas com skatistas da região.

“Quando comecei a montar a ideia, eu tinha na cabeça que queria emocionar as pessoas e trazer esse sentimento de nostalgia com as imagens antigas”, conta Manica. O sentimento é compartilhado por Bigão. “Eu me emociono toda vez que assisto, não por ser um ‘trampo’ meu, mas por ser muito pessoal”, destaca o skatista.

 

 

Desafios

Bigão e Manica fizeram as gravações em quatro finais de semana e a edição, em dois dias. “A gente sempre falava de fazer alguma coisa, porque aqui não acontece muita coisa, é difícil acontecer uma produção independente”, comenta o estudante. Para ele, a produção independente de audiovisual é pouco explorada porque é cara e demanda muito tempo.

 

Potenciais no Vale

Quando começou a trabalhar com audiovisual, em 1988, Luiz Darde escrevia roteiros e desenhava cenas. A tecnologia era outra e a edição era feita em fita. Desde então, as mudanças foram aceleradas e o problema, agora, é o valor das produções.

“A gente não pode fazer trabalhos ‘baratos’ com os valores altíssimos de equipamentos que são necessários, sem contar, lógico, o que bons redatores, roteiristas, cinegrafistas e diretores sabem fazer”, comenta.
Para as produções independentes, o problema pode ser ainda maior, já que não há muito incentivo.

O jornalista e documentarista Tiago Wiethölter saiu do Vale para morar em Campina Grande, na Paraíba, onde hoje é proprietário de uma agência de marketing e produtora audiovisual. Para Wiethölter, o Vale explora pouco o audiovisual. “Acredito que a região tem um potencial gigantesco a ser visto pelo restante do Brasil. Temos jovens criativos e engajados, cenários e histórias fascinantes, economicamente também somos referência”, destaca. Das soluções apresentadas pelo jornalista, estão os festivais e o mais incentivo do poder público.

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