Black Friday ganha força, mas ainda não é consenso

ECONOMIA

Black Friday ganha força, mas ainda não é consenso

Importada dos EUA, data divide opiniões entre lojistas

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Atualizado sexta-feira,
25 de Novembro de 2022 às 08:17

Black Friday ganha força, mas ainda não é consenso
Promoções alusivas à Black Friday chegam até 80 % de desconto. Crédito: Thiago Maurique
Lajeado
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Promoção criada nos EUA para esvaziar os estoques entre o Dia de Ação de Graças e o Natal, as duas principais datas comerciais do país, a Black Friday se tornou tradição também no Brasil, mas ainda divide opiniões entre lojistas. Realizada sempre no último fim de semana de novembro, a promoção atrai consumidores com descontos de até 80% e pode se tornar chance para fidelizar ou conquistar novos clientes.

Diretora de uma loja de confecções no Centro de Lajeado, Liége Faleiro aderiu à promoção devido à demanda dos clientes. Segundo ela, a Black Friday tem menos adesão no Brasil por causa da proximidade do Natal, principal data comercial do país. “Nós aderimos porque virou tradição para os consumidores, que esperam o mês de novembro para conseguir descontos ou facilidades nas condições de pagamento.”

Conforme Liége, entre as vantagens para os comerciantes está o pagamento da primeira parcela do 13º salário e a possibilidade de fortalecer o relacionamento com os clientes. “Fizemos a promoção durante toda a semana e o movimento tem sido muito bom, por isso vamos estender até o fim do mês.”

Diretor comercial das Lojas Dullius, Vinícius Dullius afirma que a data já se tornou tradicional para a empresa, que conta com o apoio de fornecedores para oferecer descontos diferenciados. Porém, ressalta que o período do ano não favorece o comércio no Brasil. “Diferente dos EUA, a promoção não ocorre após uma data comercial forte, como é o Dia de Ação de Graças.”

Planejamento

As entidades varejistas do Vale do Taquari não realizam promoções coletivas alusivas à Black Friday. Presidente do Sindilojas, Giraldo Sandri afirma que a data é uma boa oportunidade para fomentar aumento de vendas, mas que cada empresa deve decidir se aproveita ou não o período.

“Depende do foco da empresa, do tipo de produto que comercializa e do perfil do cliente”, ressalta. Segundo ele, a estratégia de aproveitamento recomendada é um planejamento anual de campanhas, que devem ser pensadas dentro das condições de cada empresa e de acordo com o resultado desejado.

Gerente comercial das lojas Certel, Samuel Maders afirma que a data já se tornou uma das mais importantes para o varejo. Conforme Maders, a última sexta-feira de novembro alcança faturamento de 15 dias sem promoção. “Novembro era um mês normal para o comércio, sem grandes atrativos. Hoje, é a segunda data mais importante para o nosso negócio.”

Mudança em debate

Presidente da CDL Lajeado, Aquiles Mallmann afirma que a Black Friday divide a opinião entre as empresas filiadas à entidade. Conforme o presidente, o comércio de confecção pode aproveitar o momento para ampliar o capital de giro pensando nas mercadorias do Natal. “Nas lojas de eletrodomésticos e móveis, a data também é forte e serve para atrair mais o consumidor.”

Mallmann destaca o movimento que ganha força no Centro do País na tentativa de mudar a data do Black Friday no Brasil. “Muitos lojistas acreditam que prejudica as vendas de Natal. Precisamos ficar atentos a essa possibilidade.”

Desde 2018, a mudança na data da promoção está em discussão, principalmente nas entidades empresariais das grandes capitais. Porém, ainda não há consenso sobre a medida. Um dos motivos é a adesão dos brasileiros à data – a mudança poderia confundir consumidores que já se acostumaram com a última sexta-feira de novembro.

 

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