Congresso reacende debate sobre integração de modais

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Congresso reacende debate sobre integração de modais

Evento de logística indica a necessidade da união de esforços para viabilizar retomada do transporte por hidrovia e ferrovias da região. Estudo sobre demanda de carga está entre os desafios

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Congresso reacende debate sobre integração de modais
Programação do 1° Congresso de Logística dos Vales contou com 440 inscritos entre as três atividades técnicas. Crédito: Felipe Neitzke
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Empresários da área de transportes, autoridades e representantes do setor produtivo se reuniram para debater o futuro da logística regional. O encontro nessa terça-feira, 11, no Porto de Estrela contou com 440 inscritos em eventos técnicos e visitação aos expositores. Além de buscar soluções aos gargalos como a qualificação profissional e custos operacionais, a programação apresentou alternativas tecnológicas.

O congresso inédito na região também foi momento de retomar diálogo sobre a reativação da ferrovia até o Porto de Estrela e transporte de carga pelo Rio Taquari. A estrutura portuária alcançou seu melhor desempenho na década de 80 com movimentação de 1,3 milhão de toneladas ao ano.

Naquele período, a integração entre ferrovia e hidrovia permitiu o transporte de grãos com economia média de 30% se comparado ao modal rodoviário. As duas alternativas perderam força e foram deixadas na ociosidade em 2013. Agora, a partir de movimentos como a municipalização do porto e, busca de investimentos da iniciativa privada, a articulação regional é por melhor aproveitar a estrutura existente.

De acordo com o prefeito de Estrela, Elmar Schneider, ainda em 2020 o Estado autorizou a concessão da área por 20 anos, mas o objetivo é obter a gestão permanente do espaço. “A partir da primeira empresa que se instalou na área portuária foi possível gerar R$ 3 milhões em retorno de ICMS ao Estado. Queremos com a união de esforços fazer mais por Estrela e a região.”

Schneider ainda reforça as tratativas junto ao governo federal com objetivo de tornar o aeródromo também área do município e investir na ampliação da pista para 1,3 quilômetro. Ainda sobre o 1° Congresso de Logística dos Vales, o prefeito de Estrela enfatiza o engajamento para que o porto possa receber nos próximos anos um dos principais eventos de transportes, a TranspoSul. “O Vale quer e está pronto para receber a feira.”

A programação desta semana foi uma iniciativa da Empresa Pública de Logística (E-Log) e Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Rio Grande do Sul (Setcergs). As tratativas iniciaram ainda durante a principal feira da região Sul que ocorreu no mês de junho em Porto Alegre.

Articulação regional

Para avançar no debate sobre a integração de modais a E-Log fará estudo da demanda de carga e possibilidades de usar a hidrovia ou ferrovia ao invés das rodovias. Conforme o presidente da Câmara de Comércio, Indústrias e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ivandro Rosa, essa necessidade foi discutida em 2018, mas não houve avanços nesse diagnóstico.

“O evento ajudou a esclarecer algumas dificuldades técnicas e ao mesmo tempo percebemos que há demandas.” Rosa reitera ainda, que o congresso foi um momento de colocar frente a frente representantes dos diferentes modais e permitir a troca de ideias sobre o tema.
Essa também é a percepção da presidente da E-Log, Elaine Strehl. “Fomos desafiados a promover uma atividade que pudesse envolver os três modais e buscar soluções aos gargalos em cada área.”

Concessão das ferrovias

O novo processo de concessão de ferrovias do país é apontado como fator importante para permitir investimentos no modal logístico sobre trilhos. O diretor do Grupo Randon, Afonso Brambilla, acredita que em dez anos sejam fabricados mais 50 mil vagões e incrementados 11 mil quilômetros de malha ferroviária.

Na avaliação de Brambilla, os novos contratos darão segurança para investimentos. “Dos cinco trechos, quatro passaram pela etapa de renovação com a iniciativa privada. Resta ainda o eixo Sul que deve ser finalizado no próximo ano.” Sem avaliar o caso específico do Vale, ele observou que o valor médio para implementar o quilômetro de ferrovia chega a R$ 1 milhão e seu retorno financeiro depende muito da demanda local.

Empresas do setor de transporte apresentaram tecnologias e tendências ao futuro da logística. Crédito: Felipe Neitzke

Transporte de cargas pelo Rio Taquari

Outro desejo de líderes da região é poder retomar o transporte de cargas pelas águas do Rio Taquari. Desde 2013 esse modal entrou em desuso e hoje apenas o transporte de areia é feito em alguns casos. De acordo com o diretor da Portos RS, Cristiano Pinto Klinger, o governo estadual implementou a empresa pública para promover a modernização dos portos e destravar projetos para o melhor aproveitamento do modal hidroviário.

No caso do Rio Taquari, no ano passado o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) emitiu ordem de serviço para dragagem. O investimento em cinco anos deve alcançar R$ 14,3 milhões e viabilizar a retirada de 150 mil m³ de material para tornar a navegação segura. Em paralelo também estão previstas melhorias na barragem eclusa de Bom Retiro do Sul.

“O efetivo uso do rio e investimentos para o transporte de cargas dependem da regularidade na demanda para escoar e trazer mercadorias”, alerta Klinger. Ele reforça que um estudo nesse sentido é feito para retomar a navegação em canal entre Brasil e Uruguai.

Avanço tecnológico

Os processos de inovação para aumentar a segurança e reduzir custos estiveram em evidência durante o evento no Porto de Estrela. De acordo com o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), Afrânio Rogério Kieling, o monitoramento da frota, automação dos veículos e novas opções de combustíveis para veículos de carga são resultados do avanço tecnológico no setor.

“O caminhão pode estar em outro país e conseguimos acompanhar cada etapa do transporte. Isso representa mais segurança para a empresa e ao motorista”, observa. Ele também destaca que o uso de caminhões elétricos ou com gás são alternativas em outros países diante da escalada do preço do diesel.


Estruturas logísticas no Vale

Hidrovia

A navegação pelo Rio Taquari, a partir do Porto de Estrela até Porto Alegre, tem duração de 12 horas por uma extensão de 188 quilômetros. A estrutura foi inaugurada em novembro de 1977 como marco logístico da integração dos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário.

Em abril de 2013 a empresa responsável pelo transporte de cargas encerrou as operações. Diante da ociosidade do local, o município encaminhou ao Estado o pedido de concessão da área portuária. Esse aval foi concedido em 2020 e pelo prazo de 20 anos. Agora, o Executivo municipal busca a autorização de uso permanente do espaço.


Ferrovias

A última locomotiva com destino a Estrela chegou em dezembro de 2014. No ano seguinte, a malha de 13 km até o complexo portuário foi interditada. A pouca demanda de transporte por este modal no Vale do Taquari seria um dos motivos indicados pelo fim das operações até o Porto de Estrela.

Na época, de acordo com a concessionária, para ter uma viagem por dia com produtos agrícolas seriam necessárias mais de quatro mil toneladas de carga.


Rodovias

Os principais gargalos indicados pelas empresas de transporte do Vale estão atrelados às rodovias estaduais. O entendimento é pela urgência na duplicação de estradas como as ERSs 129, 130 e 453. Outra dificuldade está atrelada à falta de mão de obra e profissionalização. Dados do setor de transporte indicam que na região são mais de 5 mil trabalhadores, com espaço para mais profissionais.

Créditos: Arquivo A Hora


 

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