Qual a utilidade das pesquisas eleitorais?

Opinião

Filipe Faleiro

Filipe Faleiro

Jornalista

Qual a utilidade das pesquisas eleitorais?

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Os resultados das eleições deste primeiro turno colocam em xeque as pesquisas eleitorais. Institutos conceituados em escala nacional saem com a imagem manchada após equívocos. Vitórias em primeiro turno não confirmadas, apontamento de quem seriam os governadores e mesmo na corrida para o Senado.

Existe, de fato, uma perda considerável de credibilidade. Inclusive vão além do espectro dos núcleos de pesquisa. Respingam sobre veículos de comunicação e trazem consigo movimentos de desacreditação sobre as metodologias. Tudo isso obriga um repensar sobre a necessidade dos conteúdos publicados sobre intenção de votos.

A pergunta central após a confirmação de domingo se sustenta na utilidade das pesquisas eleitorais. Dos primeiros anos da redemocratização até agora, a discussão sobre a influência dos números sobre as votações segue presente no imaginário do eleitor.

Por outro lado, havia mais confiança, apesar de sempre haver polarização nas disputas, em especial para a presidência da República. No pleito deste ano, esse termo se transformou em radicalização, com uma divisão muito clara em termos de correntes político-ideológicas, os dados são usados para justificar narrativas.

Esse tipo de diagnóstico prévio tem mesmo a característica de tentar entender o humor do eleitor naquele momento. É um retrato de ontem, divulgado hoje, para tentar adivinhar o que será amanhã. A maneira em que os percentuais de adesão para determinado nome são apresentados podem também provocar efeito contrário.

O eleitor antes indeciso, ao ver algum desafeto à frente, tende a escolher o rival com potencial de vitória. Há uma drenagem de votos, o que o PT chamou de “voto útil”, o que se comprovou um tiro no pé pelo fato de ter alimentado a animosidade com aquele eleitor antipetista.

Em São Paulo, estado com maior número de eleitores no país, o candidato bolsonarista, Tarcísio de Freitas, estava com 31% das intenções. No fim da contagem, chegou a 42%. Uma diferença de 11%, bem acima da margem de erro. O segundo lugar, Fernando Haddad (PT), teve um percentual inferior ao previsto pelo Datafolha.

No RS, também houve diferenças para governador. Ninguém previa a escalada tão intensa de Edegar Pretto (PT) e a distância de Onyx Lorenzoni (PL) em relação ao ex-governador Eduardo Leite (PSDB). Para não ficar só nos governos estaduais, para presidência a resolução no primeiro turno foi um devaneio desmentido nas urnas.

Agora, é mesmo necessário publicar pesquisas de intenção de voto? Por vezes parece que elas criam um voto menos consciente, fortalece o efeito manada de escolher quem está na frente ou quem é contra algo.

Na Europa, por exemplo, diagnósticos desse tipo são autorizados apenas aos partidos políticos, sem divulgação ao grande público. Inclusive há proposta de lei no Senado para mudar a legislação neste sentido. Fiquemos atentos.

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