Justiça Eleitoral estuda motivos para as filas na hora do voto

ELEIÇÕES 2022

Justiça Eleitoral estuda motivos para as filas na hora do voto

Dúvidas sobre uso da biometria, aglomeração de eleitores nas primeiras horas e número elevado de escolhas são algumas justificativas. Cartórios apontam dificuldades desse primeiro turno. TRE aponta necessidade de novos treinamentos com mesários

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Justiça Eleitoral estuda motivos para as filas na hora do voto
Crédito: Gabriel Santos
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Em uma eleição geral, com a necessidade de cinco votos, já se espera mais demora do que a escolha municipal. O diferente no pleito de 2022 foi a proporção das filas, que em alguns casos levavam cerca de uma hora. O cenário retratado no Vale do Taquari também se repetiu pelo país. Em metrópoles, como São Paulo, esse tempo de aguardo alcançou três horas.

Tal condição obriga a própria Justiça Eleitoral a se posicionar. Tanto que a perspectiva é de reestruturar modelos de orientação e treinamento dos mesários, em especial sobre o uso da biometria. Conforme o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), afora a característica da disputa geral, outros dois pontos precisam ser avaliados: voto dos idosos na urna eletrônica e dificuldade de usar a biometria.

Em âmbito nacional, mais de 7,5 milhões de eleitores que poderiam optar pela abstenção decidiram ir às urnas. Junto com isso, houve uma alteração na tecnologia da urna e, em alguns casos, o leitor biométrico não conseguiu identificar o eleitor. O pico nos horários de votação também passa por análise. Porém, no segundo turno, com menor número de candidatos haja mais agilidade na hora do voto. No Vale do Taquari, a estimativa de técnicos é que cada eleitor demorasse até dois minutos para votar. Essa média ficou entre 5 até 7 minutos.

Análise por cartório

As filas aconteceram em diversos municípios da região. Ainda assim, não foi homogênea. Havia zonas com mais de uma seção em que uma registrava fila e outra com mais fluidez. Chefes dos cartórios eleitorais da região verificam motivos diversos durante esse primeiro turno. Houve substituições de seis urnas em Teutônia; divergências sobre filas para públicos prioritários em Estrela; falta de pelo menos 13 mesários em Taquari e encerramento da votação após as 18h em a Tabaí.

104ª ZONA ELEITORAL

Sede: Arroio do Meio

O chefe do Cartório de Arroio do Meio, Ivan Quoos, avalia que houve demora na votação de maneira heterogênea. “Algumas seções no mesmo lugar tinham filas e do lado não.” Para ele, um dos motivos pode ser a inexperiência de alguns mesários, junto com a implantação da biometria. “Havia quem checasse duas ou três vezes a identificação. Ia para o caderno, digitação do título no aparelho de reconhecimento e também a leitura da digital.” Para ele, o sentimento de insegurança de alguns mesários pode ser explicado também pelo clima de polarização política. “Ninguém queria dar margem para críticas ou apontamentos. Então o cuidado foi maior.”

Crédito: Gabriel Santos


29° ZONA ELEITORAL

Sede: Lajeado

Cidades: Canudos do Vale, Cruzeiro do Sul, Forquetinha, Lajeado, Marques de Souza, Progresso, Santa Clara do Sul e Sério

Para a chefe do Cartório, Betânia Rohde, havia uma ideia prévia de que essa votação seria mais lenta do que as demais. Muito em função do novo sistema de identificação do eleitor. “Era necessário quatro tentativas no leitor biométrico. Junto com isso, o voto em cinco cargos.”

Junto com isso, a Justiça Eleitoral recomendava que eleitores com reconhecimento pelas digitais não precisariam assinar o livro de identificação. Ainda assim, muitos mesários faziam a consulta de maneira manual. Sobre a necessidade de mais momentos de formação e orientação das equipes, Betânia diz que aguardará uma posição oficial do TRE gaúcho.

Crédito: Bianca Mallmann


21ª ZONA ELEITORAL

Sede: Estrela

Chefe do Cartório de Estrela, Sandro Ferrari, relata mais filas no período da manhã. Junto com isso, a exigência de quatro tentativas na biometria fazia com que a votação levasse mais tempo. “Fizemos orientação para sempre manter a digital do aparelho limpa, como forma de facilitar a leitura.”

Outra questão que trouxe estranheza para os eleitores foi filas para pessoas prioritárias (idosos, mães puérperas, famílias com crianças de colo, portadores de necessidades especiais). De acordo com ele, houve reclamações. “Temos uma lei sobre isso. Em alguns momentos foi preciso intervir, com servidores e voluntários na organização das filas.”

Crédito: Reportagem A Hora


125ª ZONA ELEITORAL

Sede: Teutônia

Chefe do Cartório de Teutônia, Luciane Lima, se surpreendeu com a incidência de filas e demora para votação. “Saiu do controle”, admite. Além disso, houve problemas com urnas. Seis precisaram ser substituídas. De acordo com ela, houve eleitores que foram presencialmente no cartório reclamar da demora e também das filas prioritárias.

Outra questão que chamou atenção dela foi o excesso de zelo na identificação dos eleitores. Houve seções em que faltaram folhas para escrita de atas. De acordo com ela, eram feitas as quatro tentativas pela biometria. Sem conseguir identificar, a orientação é digitar a data de nascimento do eleitor. “Isso tudo era registrado em ata, sendo que não era necessário.”

Crédito: Ezequiel Neitzke


67ª ZONA ELEITORAL

Sede: Encantado

Chefe do Cartório de Encantado, Luciana Gheno, desde o treinamento dos mesários se percebia que haveria mais demora nesse primeiro turno. Como em Estrela, houve horários específicos de mais demora e filas nas secções. O início da manhã, com grande público de idosos nas urnas e também no fim da tarde, a partir das 15h.

Para ela, toda a orientação e treinamento dos participantes da eleição foram feitas. Para o segundo turno, estima um processo de voto mais rápido, com uma tendência de que não haja filas na dimensão vista no domingo passado.


145ª ZONA ELEITORAL

Sede: Arvorezinha

Chefe do Cartório de Arvorezinha, Jairo de Jesus Ferreira, verifica a necessidade de rever algumas exigências por parte da Justiça Eleitoral. “A biometria traz segurança, sem dúvida. Ainda assim, pode atrapalhar um pouco. Quatro testes de leitura digital até habilitação torna o processo ainda mais lento.” Nas visitas às seções, inclusive verificou um caso de eleitor tentando digitar direto na tela, como se fosse um celular.

“Vimos que muitas pessoas ainda não compreenderam o uso da urna eletrônica.” Outro fator percebido também foi falta de mesários, em menor número do que ocorreu em Taquari. “A convocação vai muito da análise do fiscal. Se ele perceber que não está fazendo falta, pode continuar com pelo menos três mesários.”


56ª ZONA ELEITORAL

Sede: Taquari

A chefe do Cartório de Taquari, Ana Paula Ávila, aponta dificuldades similares às vistas em outros locais. O diferencial foi o excesso de faltas por parte de mesários. Pela contagem preliminar, pelo menos 13 convocados não compareceram. “Em algumas seções tivemos de chamar eleitores que estavam na fila.”

Por ser convocação eleitoral, é preciso cumprir. Apenas uma justificativa plausível pode gerar dispensa. “Tivemos quem apresentou atestado médico e precisamos dispensar. Manter uma seção com dois mesários não é possível.” Em Tabaí, houve mais filas do que Taquari, conta Ana Paula. “Houve uma seção que os votos foram encerrados após as 18h.”


Observação

(*) Dois Lajeados pertence à 22ª Zona Eleitoral, com sede em Guaporé. Já Boqueirão do Leão e Mato Leitão integram a
93ª Zona Eleitoral, sediada em Venâncio Aires.

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