Preço dos produtos de limpeza sobe 11,4% em 12 meses

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Preço dos produtos de limpeza sobe 11,4% em 12 meses

Índice é maior do que a inflação no período. Cotação do dólar, mais despesas com logística e insumos da indústria química interferem sobre produção local

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Preço dos produtos de limpeza sobe 11,4% em 12 meses
Consumidor tem optado por marcas menos conhecidas e por embalagens menores. Compras reduziram 8% ao longo do ano. Crédito: Filipe Faleiro
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Marca líder de sabão em pó acima dos R$ 30 o quilo. Sabonete, desodorante e creme dental também estão mais caros nos mercados. “Procuro aproveitar as promoções. Faz uns três meses que os preços estão bem elevados”, avalia a servidora pública aposentada, Loreide Vieira.

Conforme dados do Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo de higiene e limpeza acumula uma alta de 11,4% em 12 meses. O percentual está acima da inflação no mesmo período, que foi de 8,73%.

Os fabricantes têm enfrentado condições adversas. Essa situação passa pela alta do dólar, nos custos logísticos e nos insumos da matéria-prima na indústria química. Como resultado, a produção nas fábricas fica mais cara e eleva o preço ao consumidor.

“Passamos pela mesma situação de muitos outros segmentos produtivos. Fornecedores que negociam em dólar, com elevação nos insumos. Isso trouxe esse resultado dos produtos de limpeza ficarem acima da inflação”, avalia o diretor da Girando Sol, de Arroio do Meio, Gilmar Borscheid.

“Infelizmente, acabamos tendo de repassar esses custos. Mas já percebemos uma menor intensidade nos reajustes dos fornecedores. Há uma tendência de estabilização para os próximos meses”, estima.

De janeiro a julho, o preço médio dos sabonetes disparou 17,8%, enquanto os itens de higiene pessoal aumentaram 7,3% em média. Os produtos de limpeza doméstica, acompanham esse movimento. O sabão em pó ficou 15,8% mais caro, e os amaciantes e alvejantes em 11,1%.

Mudança no consumo

Diretora da Gota Limpa, de Imigrante, Camile Bertolini di Giglio, realça que as oscilações na cadeia produtiva interferem também sobre os consumidores. Por meio do acompanhamento da empresa frente às ferramentas de análise do mercado, há dois movimentos em curso: marcas líderes começam a ser ultrapassadas por produtos de menor preço; e, compra de embalagens menores.

“Percebemos que há uma migração nos últimos meses. Isso provoca adequações em diferentes níveis. Os fornecedores internacionais perdendo espaço. Marcas preferindo insumos nacionais para fabricação desses produtos de limpeza”, conta Camile.

Inflação no país

Pelo IPCA, houve redução do índice de 0,36% em agosto. O motivo central está no grupo com preços administrados. O principal segmento de queda foi os Transportes (-3,37%). Influenciado pela queda dos combustíveis (-10,82%).

Em agosto, os preços dos quatro combustíveis pesquisados caíram: gás veicular (-2,12%), óleo diesel (-3,76%), etanol (-8,67%) e gasolina (-11,64%). Os preços das passagens aéreas (-12,07%) também recuaram, após quatro meses de altas.

Em alta está o grupo Saúde e cuidados pessoais (1,31%). As principais contribuições vieram da higiene pessoal (2,71%) e do plano de saúde (1,13%).

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