Adultos e crianças compartilham velha tradição

ÁLBUM DA COPA

Adultos e crianças compartilham velha tradição

Procura pelas figurinhas movimenta colecionadores da região e cria cultura do troca-troca em escolas, clubes e estabelecimentos

Por

Adultos e crianças compartilham velha tradição
Além das tradicionais bancas, estabelecimentos como cafeterias e clubes sociais também criam momentos para o troca-troca de figurinhas. Crédito: Caetano Pretto
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A Copa do Mundo do Catar inicia apenas em novembro, quando 32 seleções disputarão o título mais desejado do planeta. Pouco mais de dois meses antes da bola rolar, outra febre que ocorre há cada quatro anos é vista: as figurinhas da Copa. Desde agosto, milhares de colecionadores percorrem bancas e pontos de venda e troca pela região para completar o álbum.

Não é raro ver crianças e adultos com figurinhas na mão pelos principais pontos de Lajeado. Além dos pontos de venda, cafeterias, clubes sociais, escolas e escolInhas de futebol também aderiram à febre do álbum. São necessários 670 cromos para ter a coleção completa e cálculos apontam que a média gasta para ter todas as figurinhas é de mais de R$ 3 mil.

Para a proprietária da Banca Central, no Centro de Lajeado, Léia Bohrer da Rocha, a procura pelo álbum em 2022 está muito maior do que a vista em 2018, ano da última Copa do Mundo. “São quatro anos de espera, mas parece que dessa vez faz ainda mais tempo, visto a quantidade imensa de pessoas que estão fazendo o álbum”, diz.

A procura é tão grande que a Panini, distribuidora do álbum, não está vencendo a demanda. Assim, chegam a faltar álbuns e figurinhas nos pontos de venda da região. “Quando recebemos, logo esgota. Esta semana mesmo tinha dias que não se encontrava figurinhas em Lajeado”, recorda Léia.

O número de colecionadores também chama a atenção. Segundo a vendedora, mais de 500 pessoas passaram pela banca na quinta-feira, 8, procurando o álbum. “E não estou nem falando das figurinhas”, lembra. Ainda, recorda que ao mesmo tempo em que alguns clientes levam meses para completar o livro, outros já estão no segundo ou terceiro álbum. “Temos um cliente que já completou duas vezes, outro que chegou aqui e comprou R$ 4 mil em figurinhas de uma só vez. É uma loucura.”

28 anos depois, o mesmo país

Um dos colecionadores que pode se gabar de já ter as 670 figurinhas coladas é o jornalista Diogo Botti, que completou o álbum ao lado do filho Mathias. Depois de muita procura, ele conseguiu o último cromo que restava: o jogador Sami Al-Najei, da Arábia Saudita.

Casualmente, o país árabe foi o mesmo em que ele colou a última figurinha no álbum da Copa de 1994. “Lembro até hoje, naquela época a seleção da Arábia vinha em página central e cada figurinha tinha a foto de dois jogadores. Não lembro ao certo o número da figurinha, mas quem conseguiu para mim foi um grande amigo, que sabia que eu precisava e foi correndo até minha casa para me entregar.”

Para o experiente colecionador, o segredo para se completar o álbum é focar na troca. “Ter um volume de repetidas que te possibilite completar trocando. Dessa vez entrei em um grupo de WhatsApp e fui para os lugares onde teve troca-troca, num único sábado consegui 160 figurinhas”, recorda.

Para Botti, o que torna o álbum um sucesso a cada quatro anos é a representatividade da Copa do Mundo, além do apelo comercial que aumentou nos últimos anos com a facilidade para se acompanhar o futebol europeu.

“Hoje é fácil conhecer os atletas, então no álbum as crianças veem os seus ídolos. Querem o Messi, o Cristiano Ronaldo, o Lewandowski… Meu filho mais velho, que me ajudou na missão de completar as figurinhas, sabia o nome de grande parte dos atletas e até o time em que jogam em função deste bombardeio de informações”, comenta.

Colecionador desde a edição de 1994, o jornalista Diogo Botti completou o álbum com o filho Mathias. Crédito: Arquivo Pessoal

Trocas em meio aos treinos

A grande quantidade de crianças com o álbum fez as escolas e escolhinhas de futebol se adaptarem. É o caso da DiasFut, do professor Felipe Dias, que em todo o treino abre um momento para a troca de figurinhas. “A maioria dos meninos têm o álbum, inclusive eu comprei para colecionar com o meu filho, então todo o treino rola o momento para a troca”, diz.

Segundo ele, o troca-troca faz com que as crianças aprendam a conversar e a negociar. “Muitos meninos já completaram, inclusive. É legal de ver, um lembra o outro, incentiva, ajuda a procurar, e assim todos saem ganhando.”

Vendedores vão a Santa Cruz do Sul buscar figurinhas direto do distribuidor. Crédito: Caetano Pretto

Troca-troca de figurinhas

A demanda por figurinhas fez com que empreendimentos de outros nichos também voltassem às atenções para o álbum da Copa. É o caso da cafeteria Duckbill, que realiza troca-troca de figurinhas na tarde deste sábado.

“A ideia surgiu com o meu irmão e sócio, que é colecionador do álbum e identificou uma necessidade de existir um ponto de troca em Lajeado. Assim, oferecemos o local para os colecionadores realizarem as trocas e consequentemente aumentamos o movimento da loja”, diz o proprietário, Augusto Wallauer.

Depois de realizar o primeiro evento no dia 27 de agosto, a loja fará novo momento neste sábado à tarde. “Várias pessoas já nos procuraram para saber se haveria uma próxima data, então nossas expectativas são muito boas.”

Alunos da DiasFut trocam figurinhas em meio aos treinos. Crédito: Arquivo pessoal

FIGURINHAS RARAS

A grande novidade deste ano são as figurinhas raras. Chamadas de Legends, elas podem ser encontradas na versão bordô, bronze, prata e ouro, sendo esta última o mais alto grau de raridade. Desde o lançamento do álbum, as figurinhas são vendidas na internet. O Neymar dourado, por exemplo, chegou a ser comercializado por R$ 9 mil.

São 80 figurinhas de 20 jogadores: Almoez Ali (Catar); Alphonso Davies (Canadá); Christian Eriksen (Dinamarca); Cristiano Ronaldo (Portugal); Dusan Vlahovic (Sérvia); Gavi (Espanha); Giovanni Reyna (EUA); Guillermo Ochoa (México); Heung-Min Son (Coreia do Sul); Jude Bellingham (Inglaterra); Kevin de Bruyne (Bélgica); Kylian Mbappé (França); Lionel Messi (Argentina); Luis Suárez (Uruguai); Luka Modric (Croácia); Neymar Jr (Brasil); Raphaël Varane (França); Robert Lewandowski (Polônia); Ryan Gravenberch (Holanda); Sadio Mané (Senegal).

A grande novidade deste ano são as figurinhas raras na versão ouro, bordô, bronze e prata

VALORES

Álbum normal: R$ 12,00

Álbum de capa dura: R$ 44,90

Pacote com 5 figurinhas:  R$ 4,00

Evolução do preço do pacotinho

Copa de 2006: R$ 0,50

Copa de 2010: R$ 0,75

Copa de 2014: R$ 1

Copa de 2018: R$ 2

Copa de 2022: R$ 4

Quando custa para completar?

O valor mínimo para completar o álbum é de R$ 536. Para a conta fechar o colecionador não poderá receber nenhuma figurinha repetida. O que é considerado impossível. Ao todo, são necessários 134 pacotes para ter os 670 cromos.

Segundo o matemático da Universidade Federal de Minas Gerais, Gilcione Nonato Costa, preencher o álbum sem comprar repetidas equivale a ganhar 38 vezes consecutivas na Mega-Sena com aposta simples. Segundo os cálculos, a estimativa de valor gasto para completar o álbum é de, em média, R$ 3.176.

Acompanhe
nossas
redes sociais