Futebol, sexualidade, religião e política

Opinião

Albano Mayer

Albano Mayer

Consultor executivo e articulador do Pro_Move Lajeado

Assuntos e temas do cotidiano

Futebol, sexualidade, religião e política

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Já faz um bom tempo que me dedico a estudar a administração de conflitos, área chave de gestão e liderança. Entretanto, por mais que eu capacite as pessoas nesta competência e explique a elas as técnicas da gestão de conflitos, sempre me deparo com o embate da passionalidade.

Nós, latinos, somos muito “coração”. Já escutei essa afirmação várias vezes, até mesmo em diferentes países. Na verdade, esse argumento só serve para atenuar o nosso comportamento passional, o que nos atrapalha muito a possibilidade de evolução no nosso comportamento social e coletivo.

Quero iniciar pela formação deste nosso “mindset”. Certamente, vocês já ouviram a frase: futebol, religião e política não se discute! Já liguei pra minha mãe e expliquei a ela que essa frase é inadequada, e ainda “esquentei” falando que temos que discutir inclusive sexualidade! Precisamos não só discutir, mas prioritariamente temos que entender e termos a liberdade de divergir sem personalizarmos ou sermos passionais.

Acredito que líderes devem se posicionar com relação a estes temas, entre tantos outros, e precisamos respeitar a formação individual de nossos colaboradores e liderados, aceitando que possivelmente não vamos “converter” ninguém, mas sim fortalecer uma mentalidade de mais confiança e colaboração.

Relembro que, no meu artigo de março, citei o filósofo Michel de Montaigne, que diz que “a verdade é relativa, não existindo uma verdade única”. Mais um motivo para repensarmos as posições inquestionáveis e verdades absolutas.

Este é um bom momento para falarmos sobre esse assunto. Estamos iniciando um importante processo eleitoral, que possivelmente trará grandes conflitos e, provavelmente, atritos nos ambientes familiares e empresariais. Tenham, portanto, atenção redobrada!

Devemos lembrar que os conflitos devem se restringir ao campo das ideias. O que por vezes exacerba as relações é não definirmos claramente onde estamos conflitando, qual a nossa real divergência e, principalmente, se temos chance de convergência. Se estas perguntas não estão bem definidas e respondidas, temos mais dificuldade de levar o nosso conflito para uma solução onde todos ganhem.

Precisamos evitar a pessoalidade. Só porque divergimos de alguém, seja por suas posições políticas, sexuais, religiosas ou mesmo futebolísticas, não podemos restringir a isso nossa visão sobre esta pessoa.

Um bom líder precisa estar atualizado e evoluir constantemente, alinhando-se com novas perspectivas. Se os seus liderados precisam de orientação sobre temas polêmicos ou difíceis, cabe a ele estudá-los e, a partir do seu desenvolvimento e entendimento, orientá-los.

Certamente muitos momentos de divergência aparecerão. Não faremos perdurar apenas as nossas ideias ou vontades, mas com muito respeito vamos conflitar e desenvolver equipes saudáveis, compostas por pessoas confiantes e focadas em soluções que visem o bem comum.
Eis o nosso desafio, bons conflitos!

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