“Encontrei na arte em madeira uma forma de superar meus problemas de saúde”

ABRE ASPAS

“Encontrei na arte em madeira uma forma de superar meus problemas de saúde”

Natural de Picada Flor, interior de Marques de Souza, Gilberto Adair Schulte, 44, o popular “Schulda”, sofreu dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) em outubro de 2021. Depois de um longo período internado no Hospital Bruno Born, começou a recuperação e encontrou na arte em madeira uma forma de ocupar o tempo e superar as dificuldades

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“Encontrei na arte em madeira uma forma de superar meus problemas de saúde”
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Após o AVC, como foi a recuperação?

Eu percebi que estava ficando fraco, foi questão de dias. No dia 18 de outubro estava pronto para trabalhar. Me senti mal e fui parar no hospital com um AVC. Minha esposa Monica Zenatti Schulte sempre me acompanhou. Estive em uma cadeira de rodas e não conseguia fazer nada. Não mexia um dedo, estava imóvel e não enxergava direito. Aos poucos recuperei os movimentos com auxílio médico e muita fisioterapia.

Aquando começou a arte em madeira?

Imagina uma pessoa que sempre foi ativa na comunidade ter que deixar seus afazeres. Um me senti inútil, só ficava na cama. Com a recuperação dos movimentos e da fala voltei a praticar um hobby de criança. Comecei a transformar peças de madeira em relógios, tábuas de carne, bancos e pequenos móveis.

Quem te ensinou essa arte?

Meu avô Ilgo Schulte era carpinteiro e marceneiro em Marques de Souza, eu ajudei ele até os 13 anos e sempre acompanhei o trabalho dele. Depois eu também trabalhei até os 18 anos na montagem de móveis. Em casa e com tempo disponível, encontrei na arte em madeira umaforma de me ocupar, ganhar uma renda extra e superar as dificuldades de saúde.

Pretende levar esse hobby a sério?

Hoje comercializo algumas peças, principalmente relógios. O gosto de transformar a madeira em arte sempre esteve comigo. No começo, tive muita dificuldade de segurar ferramentas, mas com o passar dos dias senti um bem estar e isso foi o melhor remédio. Hoje estou encostado, mas pretendo continuar sempre a atividade. O que hoje é uma terapia, quem sabe, pode virar uma profissão.

De onde tirar inspiração para fabricar as peças?

Muita coisa vêm da internet, em vídeos. Eu tento reproduzir na garagem de casa. Outras técnicas aprendi quando criança. Hoje tenho muitas limitações. Toda madeira é doada por amigos e reaproveitada de construções ou cortes, com elas consigo fazer gamelas, balcões, mesas ou relógios.

Fale um pouco da trajetória profissional e social.

Comecei trabalhar aos 13 anos de idade. Depois trabalhei em comércio em Porto Alegre, seis anos na Prefeitura de Marques de Souza, seis anos proprietário do famoso Big Dog Schulda, que ficava em frente ao STR onde me tornei muito conhecido e recentemente trabalhava com recapagem de pneus. Noi município também sou um dos sócios fundadores do Moto Grupo.

Depois de vencer um AVC, qual mensagem deixa?

Que devemos acreditar em si mesmo e buscar nosso talento, explorar isso cada vez mais. Foi isso que me ajudou a me sentir útil novamente, trabalhar a arte, fazer coisas para as pessoas e ser reconhecido por isso.


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