Belezas naturais inspiram fotógrafos pela região

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Belezas naturais inspiram fotógrafos pela região

Profissionais ou amadores, paisagens, arquitetura e as cenas do cotidiano pelo interior convidam para olhares por trás das lentes. Cascatas, casarões antigos e trilhas compõem o álbum que confirma o potencial turístico local

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Belezas naturais inspiram fotógrafos pela região
Claudio é fotógrafo e está produzindo o livro Cascatas do Vale do Taquari, que registra mais de 100 paisagens. Fotos: Divulgação
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Na lista dos lugares mais atraentes no Vale do Taquari, Lucas Warken, 43, considera Coqueiro Baixo o primeiro lugar. Nova Bréscia e Doutor Ricardo também compõem o catálogo do lajeadense que duas vezes por mês se reúne com os amigos para fazer caminhadas e trilhas pelo interior.

Quando tinha seis anos, Lucas teve meningite e sua audição foi afetada. Para se comunicar, ele faz leitura labial. Assim, outros sentidos foram mais desenvolvidos. “A pessoa que tem deficiência auditiva aprende a ouvir com os olhos, presta mais atenção no que está vendo. E as paisagens aqui na região são lindas”, conta.

ntre os lugares que Lucas visitou, está a Barragem Arroio Boa Vista, em Linha Boa Vista, Teutônia

Nas imagens feitas por ele, que são divulgadas semanalmente na coluna do colunista Rodrigo Martini, tudo é pensado previamente. Apesar de nunca ter feito curso de fotografia, ele compreende quais são os melhores ângulos e não deixa nenhum detalhe de fora dos registros.

As fotos são todas feitas no celular, por ser um aparelho leve para acompanhar as caminhadas. Quando Lucas e os amigos chegam a cidade que desejam explorar, deixam o carro em frente a uma igreja, mercado ou residência, por permissão do morador. Depois, iniciam a peregrinação que pode durar horas.

A visita mais recente foi a Linha Porongos, em Estrela, no fim de semana passado. “Estava acontecendo o Festival de Balonismo. Quando olhamos para o céu, vimos os balões e foi a coisa mais linda”, lembra. Até agora, Lucas acredita conhecer apenas 30% das paisagens do Vale e anseia visitar todas as outras.

Para o aventureiro, a pandemia aproximou as pessoas da natureza e atraiu mais visitantes ao interior. “Precisamos abrir os olhos. Na natureza já está tudo pronto, só precisamos estar atentos, respirar ar puro, comer bergamota do pé. A natureza puxa a gente”, reforça.

Belezas registradas em livro

“Eu sempre tento retratar as coisas de uma forma mais artística, poética”, diz o fotógrafo e professor de fotografia Claudio Zagonel. Com mais de 20 anos de experiência na área, desenvolve agora o projeto Cascatas do Vale do Taquari, com o objetivo de publicar um livro que cataloga todas elas. Conforme Zagonel, a publicação pode chegar a até 150 cascatas.

A primeira parte das fotos já foram produzidas com o auxílio da Lei Aldir Blanc e a segunda parte começou a ser feita há duas semanas, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC). “Quando as pessoas souberam que eu estava fazendo esse trabalho acabavam me indicando mais cascatas. Aí pensamos em fazer essa segunda fase de fotografias”, conta.

Outro motivo para ampliar o tempo de registro foi a estiagem. “É muito difícil fazer a foto perfeita. Às vezes tem pouca água, às vezes tem muita. A estiagem do ano passado foi grande, então tem fotos que vamos refazer”, completa. Cada passeio é uma aventura e uma descoberta. Para toda expedição, ele sai acompanhado de um assistente, que o ajuda a carregar o tripé, câmera e duas ou três lentes.

Às vezes a cascata fica em uma propriedade particular e, neste caso, é preciso entrar em acordo com o

A Cascata do Donato, em Itapuca, está no livro produzido por Claudio Zagonel

proprietário. Em outras situações, Zagonel contata a prefeitura ou segue indicações que recebe de público.
“Eu acho que esse trabalho é uma forma de preservar e valorizar as belezas naturais do Vale. Há muitos lugares onde as pessoas deixam lixos ou a água fica poluída. É uma pena, porque tem muito potencial turístico. São lugares com uma energia muito boa”, pontua.

Pós-graduado em Poéticas Visuais, Zagonel já participou de exposições individuais e coletivas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Brasília, e tem livros publicados com outros fotógrafos do estado. A obra “Cascatas do Vale do Taquari” deve ser publicada em dezembro.

Exposição “Parques Estaduais”

A ideia de fazer um livro sobre todos os Parques Estaduais e unidades de conservação do estado se transformou em pequenas publicações sobre cada um dos locais. Os dois primeiros visitados foram os Parques

Estaduais de Turvo e Espinilho, dão vida a uma exposição no Sesc Lajeado, com 18 imagens dos Parques Estaduais de Turvo e Espinilho, abertas ao público até o fim do mês

Zagonel conta que esses locais são os únicos do estado onde ainda existem espécies de animais e plantas importantes para a conservação da vida silvestre e da biodiversidade do RS. Alguns, inclusive, que ainda não foram catalogados.

“O Espinilho, por exemplo, é um pequeno oásis de espécies raras, endêmicas e criticamente ameaçadas, como o cardeal amarelo, o quebracho branco. É o restante de uma paisagem, de um tipo de vegetação única no Brasil”, destaca.

Ele também ressalta que o Parque Estadual do Turvo é o último refúgio da onça-pintada, o último local onde foi avistado o gavião-real ou a harpia, a águia mais forte do planeta e a maior do Brasil. Para realização do trabalho, foram duas viagens de quatro dias a cada parque, comum voo panorâmico para cada local.

 

A Cascata do Canudo, em Coqueiro Baixo, também foi registrada por Claudio


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