Todos adoram um puxa-saco

Opinião

Filipe Faleiro

Filipe Faleiro

Jornalista

Todos adoram um puxa-saco

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Atualizado quinta-feira,
04 de Agosto de 2022 às 11:45

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A função de adulador oficial é pouco valorizada nos círculos profissionais. Há uma inferiorização desses trabalhadores quando avaliamos as carreiras e oportunidades. Talvez seja por conta da alta oferta e da presença deles tanto nas funções corporativas quanto no serviço público. Por isso existe uma competição muito acirrada para ocupar esse cargo.

Ter no cotidiano alguém responsável por lhe elogiar, por fazer o leva e traz sobre os demais colegas e por bater palma para cada movimento do líder, do encarregado ou da autoridade, exige conhecimento, atenção, engajamento e uma leitura profunda do perfil psicológico do atendido.

Sou bastante observador, tanto que posso relatar algumas condutas destacáveis. Confiram só:
A diretora executiva, muito metódica, organizada e exigente com relação à higiene dos ambientes. Por felicidade, competência ou sorte, encontrou um auxiliar dedicado. Ele passava mesa a mesa recolhendo garrafas plásticas, papéis de guloseimas e arrumando qualquer coisa fora do lugar.

Uma dica muito importante: faça esses movimentos aos olhos do líder, daquele que quer impactar. De nada adianta esse esforço se apenas os demais subalternos perceberem. Neste caso, o tiro pode sair pela culatra e criar mais competição interna. Ser puxa-saco exige discrição e assertividade.

Os grupos de whatsApp também são locais propícios para os talentos dos puxa-sacos. Cada mensagem, observação ou elogio vindo do comandante deve ser acompanhadas de emojis. Palminhas, braços fortes e mãos juntas de amém são ótimas opções.

Importante lembrar, cuidado com os excessos. Ser atuante nesse ofício é ser ambicioso. Afinal de contas, como o grande pensador Jamanta sentenciou: “quem puxa-saco também puxa tapete”. Esteja preparado!

Já foi dito

“Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador.”
WILLIAM SHAKESPEARE

“Um bajulador é aquele que alimenta um crocodilo e espera comê-lo no final”.
WINSTON CHURCHILL


Importância do Censo

Agora é sério, sem ironia. Um atraso de dois anos (justificado pela pandemia e reajuste orçamentário federal) trouxe um vácuo para a mais relevante pesquisa sobre a população do país.

Enfim começou o Censo. Então, vamos receber bem os recenseadores. Ter esse levantamento é fundamental para conhecermos nosso país, nosso estado, nossa região e nossa cidade. Assim é possível ser mais certeiro na aplicação de políticas públicas.

BIANCA MALLMANN/ARQUIVO A HORA


O leilão, ao que parece, vai sair

A saída da EGR e o novo sistema de pedágios privados batem à porta. Por mais que as notícias produzidas pelo Grupo A Hora tenham buscado levar luz sobre os impactos desse modelo, ainda há muito desconhecimento.

Por parte dos prefeitos, na grande maioria, existe mais conformismo. Uma visão de que ficará melhor do que está. Muito disso pela posição do Piratini. Acompanho essa história desde antes da apresentação do estudo da concessão.

Algo que me chama muito atenção. Até o término do período das audiências públicas e da consulta para sugestões, os setores produtivos, por meio da CIC e do Codevat, conduziam o diálogo com o Estado.

Depois, houve uma mudança. Como o Executivo gaúcho não conseguiu convencer esses representantes dos benefícios do plano, a artilharia foi direcionada às autoridades políticas. De resultado, fortaleceu-se o argumento do governo de que havia aprovação para tocar o projeto. O tempo corre e só as prometidas ações judiciais podem suspender o leilão.


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