MP analisa contas da ex-presidente de sindicato em Lajeado

LAJEADO

MP analisa contas da ex-presidente de sindicato em Lajeado

Auditoria da gestão atual aponta inconsistências em gastos. Dívida com cooperativa médica chegou a R$ 416 mil e foi quitada no ano passado

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Atualizado quinta-feira,
04 de Agosto de 2022 às 08:17

MP analisa contas da ex-presidente de sindicato em Lajeado
Atual presidente, Rita apresentou as medidas do sindicato aos vereadores. Crédito: Henrique Pedersini
Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Aquisição de equipamentos de informática, compra de cestas natalinas, caixas de bombons e até espumantes. Tudo isso em meio a uma dívida de R$ 416 mil com a Unimed. As contas da gestão passada do Sindicato dos Professores Municipais de Lajeado passaram por auditorias e os relatórios foram entregues ao Ministério Público (MP). A promotoria abriu procedimento para averiguar os apontamentos.

A atual presidente da entidade, Rita da Rosa apresentou a situação na câmara de vereadores, após convite do vereador Carlos Ranzi (MDB). Ela lembra que havia se comprometido em retornar ao Legislativo após a aprovação, ano passado, de um projeto de lei que repassava recursos do município para quitar o débito.

A dívida foi paga ainda no ano passado e evitou o cancelamento dos planos de saúde dos professores. “Hoje, o sindicato não possui nenhuma dívida. Ao contrário, temos um bom caixa, que será usado em prol da categoria e também para amortizar o valor devido aos cofres públicos”, esclarece Rita.

Inconsistências

Antes de Rita, quem comandava o sindicato era Mara Lúcia Crestani Goergen. Ela informou à sucessora que as dívidas vinham de gestões anteriores. Conforme Rita, a ex-presidente afirmou que o débito foi devido à inadimplência dos professores. “Isso gerou muita polêmica. Disse que o sindicato sofreu calote de associados”, recordou Rita.

A entidade acumulava uma dívida de R$ 316 mil com a Unimed em 2017. O montante foi pago com recursos de uma ação judicial. Porém, no mesmo ano, já haviam novos atrasos.

Rita assumiu a presidência do sindicato em 2021 e contratou auditoria externa para analisar os gastos da gestão passada. Outra auditoria, interna, apontou inconsistências no período de transição.

Custos com suporte técnico e equipamentos de informática passavam dos R$ 7 mil. No fim de 2020, foram adquiridos itens como panetones, cestas de natal, caixas de bombom e espumantes. Gasto não apresentado na prestação de contas, diz Rita.

Exclusão

Neste ano, o atual gestão do sindicato iniciou processo de exclusão de Mara. Na primeira notificação, ela não pôde comparecer por motivos de viagem previamente agendada. Já, na segunda ocasião, disse não poderia se defender sem ter acesso à auditoria.

Semana passada encaminhou resposta. Afirmou que a auditoria “nada encontrou de ilícito ou ilegal” e reiterou que os problemas com os pagamentos à Unimed ocorriam antes de assumir a presidência do sindicato.

“Assim, caso a atual diretoria tivesse efetivo interesse em solucionar qualquer impasse, deveria ter começado a auditoria em data bem anterior (…) Da forma como procedida a perseguição, tanto em relação a diretoria quanto a procuradora referida inúmeras vezes, resta evidente”. A reportagem tentou contato com Mara até o fechamento desta edição, sem sucesso.


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