Escassez de trabalhadores limita crescimento

Construção Civil

Escassez de trabalhadores limita crescimento

O déficit de mão de obra na construção civil e as iniciativas para formar novos profissionais para o setor foram tema do workshop Negócios em Pauta de julho.

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Escassez de trabalhadores limita crescimento
Conforme Jairo Valandro e Daniel Bergesch, maior parte dos trabalhadores tem mais de 40 anos: setor precisa de renovação. Crédito: Deivid Tirp
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O Vale do Taquari vive cenário de forte escassez e envelhecimento da mão de obra na indústria da construção civil. A situação se agrava diante do aumento da procura por imóveis na região, destaque no Estado pelo franco desenvolvimento.

Transmitido ao vivo nas redes sociais do Grupo A Hora, o workshop Negócios em Pauta de julho teve participação do presidente do Sinduscom-VT, Jairo Valandro e do diretor da Privilége engenharia e construção, Daniel Bergesch.

De acordo com Bergesch, a escassez de profissionais é uma realidade que se agravou nos últimos dois anos, a ponto de atrasar lançamentos de diferentes construtoras. “Diversas empresas tem terrenos em estoque, mas não conseguem colocar os projetos em prática.”

Conforme Valandro, todos os empresários do setor apontam o envelhecimento do quadro funcional, cuja maioria dos trabalhadores tem mais de 40 anos. “Existe um ciclo que não se renova. São poucos trabalhadores na faixa dos 20 anos.”

Entre os motivos para a falta de renovação está a redução no número de alunos dos cursos técnicos e restrições, tanto ao trabalho quanto a formação de menores de 18 anos. “Ao completar a maioridade, esses trabalhadores já buscaram outras formações e oportunidades, com isso a construção civil fica para trás.”

Para os entrevistados, é necessário retomar a realização de cursos técnicos para jovens com menos de 18 anos, de forma a torná-los aptos ao trabalho assim que completarem a maioridade.

Dessa forma, seria possível iniciar a prática na profissão em posições de maior remuneração. Segundo eles, a falta de mão de obra é uma realidade nas demais categorias abrangias pelo Sinduscom, que inclui indústrias moveleiras, de artefatos de cimento, olarias e cerâmicas.

Condições de trabalho

Valandro e Bergesch relatam os avanços das condições de trabalho nos canteiros de obra. Apesar de ser uma atividade ainda pesada, na qual os profissionais estão expostos às condições climáticas, o setor se moderniza com investimento em equipamentos que trazem alívio na atividade braçal.

Conforme Valandro, o avanço tecnológico também resultou em novas funções que dependem de conhecimento técnico. “Temos uma adesão muito grande de equipamentos eletrônicos de medições que melhoram o serviço e facilitam o trabalho.”

As condições de saúde e segurança do trabalhador também evoluíram nos últimos anos. Conforme Bergesch, o setor ainda carrega o estigma de uma época em que as atividades eram mais pesadas e provocavam prejuízo à saúde. “Talvez um pai que teve uma carreira na construção civil não recomenda aos filhos devido a essa lembrança de outros tempos.”

O salto na qualidade do trabalho do setor também inclui aumento da mecanização, com guinchos, gruas e outros equipamentos que trazem mais conforto e eficiência à profissão. Mesmo assim, Valandro afirma que a atividade continua majoritariamente manual. “Precisamos de muitas mãos, mas ninguém mais leva os materiais ‘no braço'”.

Filho de construtor, Bergesh relata a evolução no trabalho de concretagem das lajes, atividade que precisava de cerca de 70 pessoas. “Hoje trabalha-se com laje pré-moldada, elevação com grua e no máximo 15 pessoas.”

Conforme Valandro, diferente de outros setores nos quais a mão de obra humana é substituída por máquinas, na construção civil o contingente de trabalhadores tende a se manter. “Não existem máquinas para assentar tijolo ou para colocar reboco. Existem equipamentos que facilitam, mas exigem a expertise de um profissional para deixar o acabamento bonito.”

Para Daniel a construção civil precisa de mais homens e mais máquinas. Dessa forma, diz ser possível elevar níveis de produtividade e qualidade. “Queremos que o setor siga os padrões de uma indústria.”

Salário acima da média

Uma da vantagens do trabalho no setor é a remuneração acima da média do mercado. A região tem um dos maiores pisos salariais e a maioria dos profissionais recebe mais, conforme a experiência e produtividade. “O Vale do Taquari tem piso 10 a 15% superior do que na Grande Porto Alegre porque estamos em uma região de pleno emprego”, afirma Valandro.

De acordo com o presidente do Sinduscom-VT, na construção civil as pessoas se profissionalizam na prática e o salário evolui conforme o tempo. “A carreira não se faz do dia para a noite. É precisdo paciência e se dedicar até chegar a uma remuneração melhor.”

Seguindo ele, além de outras empresas da área, as construtoras disputam mão de obra com a indústria alimentícia, cujas linhas de produção exigem muita mão de obra para fazer sempre o mesmo serviço. “O ambiente muda constantemente. Não temos o profissional só para o reboco ou só para assentar tijolo, mas sim multi-tarefas.”

Setor paga salários acima da média do mercado, em funções que não serão substituídas por máquinas. Crédito: Arquivo/A Hora

Qualificação para suprir lacunas

Uma das iniciativas para suprir a falta de trabalhadores foi a oferta de curso de pedreiro, por meio de parceria com a Fiergs, o Senai e a Prefeitura Municipal. Destinado a pessoas desempregadas, a qualificação de 160 horas ainda ofereceu benefícios como Vale Refeição e Vale Transporte.

Nos próximos dias, a entidade abre inscrições para o curso de operadores de logística para empresas de construção. Além disso, o sindicato ainda busca formas de trabalhar questões relacionadas a gestão e liderança, entre outras habilidades necessárias para melhorar o desempenho do setor.


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