É preciso acabar com essa tristeza

Opinião

Júlia Amaral

Júlia Amaral

Jornalista

Colunista do Caderno Você

É preciso acabar com essa tristeza

Por

Atualizado segunda-feira,
25 de Julho de 2022 às 11:48

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A juventude é visceral. Seja nos anos 60, 90 ou em 2022, ser jovem é estar construindo com entusiasmo algo que não se sabe exatamente o que é. É desafiador e delicioso. Sair do eixo pode se tornar recorrente, e não há problema nisso, porque faz parte do processo. O problema é quando o mundo parece sair dos trilhos também.

A pandemia deixou todos com medo e sem perspectiva. Em qualquer idade isso é aterrorizante. Mas para a juventude pareceu, de fato, o fim do mundo.

Afinal, não há o menor sinal de onde o seu pequeno mundo em construção foi ou vai parar. Estudar pra que? Trabalhar pra que? Tudo foi interrompido ou adiado para retomar não se sabia quando. Muita incerteza para um parágrafo só.

Aos poucos, avistamos a luz no fim do túnel e parece que o trem volta para os trilhos, mesmo que destrambelhado. Escrevo hoje de um hostel no Rio de Janeiro, casa em que fico por mais uma semana. É no Rio de Janeiro, no Museu de Arte, que ocorre agora o Geração Futura (GF) Juventudes 2022, projeto que seleciona 34 universitários de todo o país para viver uma imersão no mundo do audiovisual.

Não teve GF em 2021 e, normalmente, ele ocorre em fevereiro. No ano passado, a pandemia ainda não permitia encontros como esse. Em fevereiro, a Ômicron nos impediu. Conheço o projeto desde o início da graduação e pensei que não conseguiria viver esse sonho. Mas a hora chegou.

O fato é que mais do que aprender sobre jornalismo e televisão, estou convivendo com jovens de todas as regiões do Brasil e vejo neles a brasilidade que eu acredito e que me orgulha. O Brasil é diverso, é rico e potente, de norte a sul. Existe em cada sotaque algo de único, em cada costume algo de mágico.

Mais do que isso, estar aqui é reencontrar a alegria de viver junto, de criar em comunidade. Foram tantos meses isolados que o coletivo se tornou algo estranho. Dividir quarto, tomar café da manhã junto, espiar o caderno do colega do lado.

Estar aberto a essas vivências é preencher boa parte das faltas pandêmicas.
Completa, percebi que há sim uma juventude que ainda pulsa forte. Existe uma juventude interessada e interessante.

Existe aqui, no Vale do Taquari, existe em Moçoró, em Petrolina, em Curitiba, em Taubaté, em Ribeirão Preto. O Geração Futura me fez perceber, afinal, que o Brasil profundo é o mais lindo de todos e não é tarde demais.

Como sempre gostei de Bossa Nova e escrevo da Cidade Maravilhosa, cabe encerrar com versos de Toquinho: “Meu amigo, só resta uma certeza: é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor”


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