“Enquanto tiver forças, quero trabalhar na moenda”

ABRE ASPAS

“Enquanto tiver forças, quero trabalhar na moenda”

Erni Felten, 60, opera o moinho histórico de Boqueirão do Leão. Ele trabalha no local desde criança e assumiu a gestão em 1995. Sozinho, administra a estrutura da década de 30 que se mantém original e ativa na produção de farinha e milho quebrado para nutrição animal.

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“Enquanto tiver forças, quero trabalhar na moenda”
Crédito: Nágila Ferreira
Boqueirão do Leão
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Qual é a história do moinho de Boqueirão do Leão?

Ele foi construído pela família Franciosi entre os anos 1937 e 1939. Naquela época eram donos de vários negócios, inclusive voltado à exportação de madeira. Em uma dessas negociações surgiu a oportunidade de instalar a moenda para beneficiar a produção local de grãos.

Muitas das máquinas foram importadas da Alemanha e as pedras de areia retiradas do interior de Boqueirão do Leão. Com a robustez dessa estrutura, o moinho segue ativo. Nos primeiros anos todo o processo de moenda era tocado por locomotivas a vapor, pois não havia energia elétrica na vila. Entre os produtos processados, o trigo era o carro-chefe.

Desde quando trabalha na moenda e como aprendeu a operar as máquinas?

Eu cresci dentro do moinho. Aprendi a operar e consertar cada peça e acompanhei muitas dessas transformações. Antes do motor elétrico, implementado em 1974, também teve um período que os rolos de moagem eram tocados por máquinas a diesel.

Lembro também da época em que o governo detinha o monopólio do setor, controlava as cotas de trigo para os moinhos e definia o preço da farinha. Isso mudou apenas no início da década de 90 com o aumento da oferta interna e menor dependência da importação.

O que o moinho representa e qual o futuro deste local histórico?

Assumi a gestão da moenda em 1995. Esse foi momento no qual também criei uma marca própria de farinha de milho. Hoje trabalho sozinho, até tentei ensinar algumas pessoas, mas não é um serviço tão simples, precisa gostar do que faz. E mesmo com os tempos modernos onde é mais prático comprar a farinha no mercado, tenho muita demanda e faço trocas com os produtores.

Processo em média 50 sacas de milho por dia. Além da farinha também presto serviço para agropecuárias da região. Essa parceria é voltada à nutrição animal. Enquanto tiver forças quero trabalhar na moenda, afinal este espaço faz parte da história de muitas famílias e tenho carinho especial.

A moenda integra o roteiro turístico do município. Como é receber as visitas e apresentar o local?

Ainda é preciso avançar nesse aspecto turístico. Não temos a estrutura adequada para acolher bem os visitantes. Eu sei pelo próprio moinho, pois como mantenho a produção tem muito pó da farinha e a rotina não permite que eu pare as máquinas para explicar e proporcionar uma boa experiência.

Mas quem sabe no futuro possa se investir mais nessa área e o moinho, sem dúvida, será uma referência entre os atrativos. Aliás, os moinhos do Vale representam a força de uma região colonizada por alemães e italianos e preservam essa história.


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