Luz na passarela: é a vez da moda consciente

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Luz na passarela: é a vez da moda consciente

A indústria têxtil é uma das mais poluentes no mundo, mas é possível comprar ou reutilizar de forma responsável, e minimizar os danos. Na região, a sustentabilidade é tema de projetos que buscam construir novas alternativas de consumo

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Atualizado quinta-feira,
21 de Julho de 2022 às 16:45

Luz na passarela: é a vez da moda consciente
Fiorella (meio) criou uma coleção no estilo bohemio. Crédito: Divulgação
Vale do Taquari

Seja pela necessidade sustentável ou pela busca de autenticidade na moda, movimentos de “reciclagem” e de garimpos em brechós são alternativas para minimizar os danos causados pela indústria da moda no meio ambiente. Além da sustentabilidade na hora da produção, empresas do ramo também se preocupam com os resíduos, e transformam as sobras em chaveiros ou acessórios.

Na segunda-feira, 11, durante o evento Gêneses, na Univates, momento em que as formandas do Tecnólogo em Moda apresentaram seus trabalhos de conclusão do curso, a temática esteve em alta. Entre as apresentações, o estilo bohemio de Fiorella Stefani Bucheli Guasque, 23, e a versatilidade de Letícia Träsel, 25, tiveram destaque.

Com retalhos de tecidos, peças de brechó e muita criatividade, Fiorella criou uma coleção de roupas sustentáveis e atemporais. O conjunto se chama Fioresiendo, uma junção do nome da estudante com o verbo “ser”, conjugado no espanhol, sua língua natal. Ela é de Rivera, no Uruguai.

A escolha do tema surgiu do gosto pelo estilo. “Os bohemios nasceram na França, sendo um conjunto de intelectuais que passaram por situação de pobreza, eram artistas, e criavam suas próprias roupas”, destaca Fiorella.

Junto ao conceito, estão outras influências, como o cigano, o rock, o hippie e o country. Uma das peças que chamou mais atenção na coleção foi uma jaqueta feita com dezenas de quadrados de 10 cm x 10 cm, de retalhos de tecido para estofados.

“A indústria da moda é uma das mais poluentes. Tanto na matéria prima, no consumo de água, nos resíduos testes. A minha proposta foi usar a técnica de upcycling, reciclagem sem processo químico”, conta.

A coleção faz parte da marca criada pela aluna no decorrer do curso, chamada “Isbela”, como homenagem a uma amiga da família. Fiorella a descreve como uma pessoa de luz, com o estilo hippie, feminista e que defende seus ideiais.

Criatividade e versatilidade

O trabalho em uma loja de confecções de Santa Clara despertou Letícia Träsel, 25, para o mundo da moda, mas foram as aulas na universidade que a fizeram refletir sobre sustentabilidade na indústria têxtil.

“Como vejo de perto o tanto de desperdício que existe no mundo da moda, cada vez mais isso começou a me preocupar”, conta. Conforme explica Letícia, o curso oferecia a disciplina de desenvolvimento de marca e coleção e incentivava a criar a marca “tendo um propósito”.

Foi então que a estudante começou a produzir acessórios com resíduos têxteis, semelhantes ao conceito de lixo zero.

No TCC, já sabia com o que queria trabalhar. Orientada pela professora Beatriz Rossi, Letícia escolheu a versatilidade das peças, e criou a coleção LONG TIME projetada para moda praia, com a proposta de uma nova maneira de vestir.

“A ideia é que as peças combinadas entre si, possibilitam ao usuário transitar em outros ambientes, que não somente espaços aquáticos, prolongando, assim, a vida útil do produto”, ressalta.

Na loja de Ana Paula, Rejane e Francine, restos de tecidos viram acessórios.

Moda e consciência

Porta canetas, descanso de xícaras e chaveiros são alguns dos materiais feitos com retalhos de tecidos na loja Anafran Basic. A empresa das sócias Francine Martins, Ana Paula Becker e Rejane Martins busca unir a durabilidade das roupas com a atemporalidade e o descarte consciente dos resíduos.

Francine e a mãe Rejane começaram com a confecção de jalecos para profissionais da saúde há 11 anos. Nesse processo, passaram a fazer também outras peças de roupas.

Coleção buscou versatilidade em peças de banho

“A gente acredita que a pessoa tem que investir no básico de qualidade, que tenha todo um propósito, e se cuidar da peça, essa roupa vai acompanhá-la por muito tempo”, ressalta Francine. A marca Anafran Basic surgiu em 2015. A fábrica fica ao lado da loja na Rua Pinheiro Machado, 573, centro de Lajeado.

De olho na sustentabilidade

“Doamos nossos retalhos para as artesãs e elas vão fazendo”, destaca Francine. Os acessórios são enviados com as encomendas, a exemplo da scrunch de cabelo. Outros, são vendidas na loja, como os colares coloridos com correntes, que fazem sucesso entre as clientes.

Os hábitos não são apenas com o cuidado do descarte, e sim para evitar a sobra de tecidos. Além disso, as entregas são feitas em ecobags. Entre os produtos da loja, também há uma “T-Shirt” feita com tecido que mistura algodão e garrafa pet sem perder o conforto e maciez.

“Não tem como ser 100% sustentável, mas tu consegue tomar várias ações e atitudes sustentáveis. Isso é slow fashion. Aumenta o custo, mas traz paz”, garante Francine.


“É importante saber quais são as minhas necessidades”

PATRICIA HERMANN, consultora de imagem, fala sobre o armário cápsula,
um modelo de conjunto pequeno, mas funcional, de roupas e calçados.

O armário cápsula é uma saída sustentável para manter um guarda-roupa versátil, mas também estiloso. Quais peças são fundamentais?

Quando a gente fala em sustentabilidade, a base para conseguir de fato fazer isso é o autoconhecimento. Então, quando a gente for falar de um guarda roupa que é sustentável e que funcione para nós, a primeira coisa é saber “quem eu sou”, quais são os itens que me deixam mais estilosa, que me representam.

Existe um número limite para o armário cápsula?

É muito difícil limitar uma quantidade porque depende muito da pessoa. Pessoas são diferentes, têm necessidades diferentes. Sem falar que a conta depende da questão climática também. Por exemplo, essa semana a gente teve 30ºC e depois 5ºC.

Então, fica muito difícil fazer uma cápsula de inverno, onde eu vou guardar todas as minhas roupas de verão. A questão é que a partir desse autoconhecimento, desse planejamento, saberemos a quantidade de peças de cada indivíduo.

Quais as dicas para quem quer montar um armário cápsula e não sabe como começar?

Bom, eu sempre passo para minhas clientes que para elas entenderem o conceito cápsula é bom fazer a sua cápsula semanal. Então, no domingo você senta e pensa o que eu vou usar durante toda a semana. Esse exercício de planejamento é uma forma de começar a enxergar as situações.

A gente também consegue ter mais ou menos uma ideia de previsão de tempo nessa semana. É o primeiro passo para depois ir para a cápsula do mês. O ideal é trabalhar uma cápsula por estação.


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