Turismo e  Desenvolvimento – ou a falta dele

Opinião

Charles Rossner

Charles Rossner

Empreendedor e secretário de turismo de Encantado

Turismo e Desenvolvimento – ou a falta dele

Por

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Lembro-me de uma viagem que fiz há alguns anos para Curitiba. Andando despretensiosamente pelas ruas da capital, encontrei um sujeito muito simpático, vendendo pipoca. Logo vi que era uma pessoa diferente. Guardapó impecável. Voz simpática, sem gritos ou caixas de som para chamar a atenção.

Carrinho de pipoca e utensílios, impecavelmente limpos. Mas o que mais meu chamou a atenção foi a fila de clientes, que rapidamente eram atendidos. Aquilo me prendeu a atenção de uma forma que esqueci de fotografar a catedral, as belas obras de arte na praça central, pois eu estava completamente hipnotizado pelo atendimento e pelo conceito de vender pipoca daquele sujeito.

Me aproximei, para observar mais de perto o que estava acontecendo. Ao me aproximar, fui invadido por um sentimento de desejo de comer pipoca. O aroma que aquele carrinho de pipoca exalava não era de gordura ou fritura, muito comum neste tipo de empreendimento, mas era um aroma leve de baunilha e chocolate. E adivinha, caro leitor com água na boca, o que eu fiz? Claro, comprei a bendita pipoca.

Então comecei a conversar com o pipoqueiro, enquanto ele preparava a minha pipoca. Ele me contou que no começo não foi assim. No começo ele vendia o almoço para comprar a janta. Fazia pipoca de qualquer jeito e saía vendendo. Quando batia 15h, era hora de vender o estoque que já estava pronto. Então todo dia, depois das 15h, tinha promoção. Os clientes que não são bobos, já sabiam disso e só compravam depois das 15h. O lucro, virava pó.

Então ele conheceu um consultor, uma pessoa que deu algumas dicas. “Era tudo coisa que eu já sabia, mas ele fez eu entender e literalmente esfregou tudo na minha cara”, contou o pipoqueiro.

Então ele entendeu que precisava se colocar de outra forma para os clientes. Percebeu que, mesmo sendo só um pipoqueiro, precisava inovar, empreender do jeito certo e principalmente: se qualificar. E foi o que ele fez!
Buscou ajuda e entendeu o processo: Posicionamento de marca, marketing, matéria prima, fornecedores, sistema de entrega, etc… nomes complexos, coisas apenas para grandes empresas muitos pensam.

Mas não, estamos falando de um carrinho de pipoca. Depois, colocou em prática. Hoje, o Seu Valdir, é caso de sucesso e ele já virou até palestrante nacional. Procura no Youtube.

Nosso Vale vive um momento de infinitas oportunidades no turismo. Sem qualificação, seremos como um barco sem capitão. Qualificação não é luxo, empreender é duro. E trabalhos duros exigem soma de esforços. É somando que seremos grandes.

Desenvolvimento exige trabalho duro, mas exige qualificação e capacitação, o tempo todo.

Saí de lá feliz, comendo a melhor pipoca da vida!

 


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