Exportação de calçados e carnes alcança novos mercados

COMÉRCIO EXTERIOR

Exportação de calçados e carnes alcança novos mercados

Com restrições na China, indústrias gaúchas aumentam volume de vendas para os EUA e perspectivas de mais embarques para o México

Por

Exportação de calçados e carnes alcança novos mercados
Indústria de aves do RS vende para 160 nações. Um dos destinos com mais embarques é o México. De janeiro a abril, houve um avanço de 128% nas exportações para o país (Foto: Divulgação)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A política de covid zero na China, com lockdowns em cidades inteiras, interfere nas relações comerciais com a gigante asiática. Ao longo dos quatro primeiros meses do ano, as exportações gaúchas despencaram quase 40% na comparação com o mesmo período de 2021.

LEIA MAIS: Exportação de calçados cresce 68,2% em 2022

Conforme dados do Ministério das Relações Exteriores, a movimentação financeira caiu 590 milhões de dólares no período. Enquanto no ano passado a compra de produtos gaúchos por parte da China representava 40% das exportações, hoje está em menos de 14%.

Diante da menor participação do mercado asiático, cadeias produtivas aumentam a participação em outros países. No segmento calçados e indústria de carnes há mais presença do mercado americano e potencial aumento nas exportações para o México. Na balança comercial, a venda aos EUA cresceu 49,2% no acumulado de 2022 e já corresponde a quase 10% dos embarques do RS.

Conforme a Federação das Indústrias do RS (Fiergs), em março o estado teve a 16ª alta seguida nas vendas ao exterior. No primeiro trimestre desse ano, as exportações industriais somaram US$ 3,9 bilhões, crescimento de 42,3% em comparação entre janeiro e março do ano passado.

Pela análise setorial, entre os 24 segmentos exportadores da indústria gaúcha, 19 assinalaram acréscimo das exportações no comparativo com o mesmo mês de 2021.

Entre os principais setores em crescimento estão os Alimentos, Químicos, Máquinas e equipamentos, Celulose e papel, Tabaco e derivados do petróleo.

Oportunidade para os setores de aves e suínos

O governo do México estuda suspender a tarifa de importação de frango. Essa decisão tem relação com os casos de influenza aviária e peste suína africana em outros países exportadores.

Como a produção do Brasil tem conseguido garantir a sanidade das produções, há uma tendência de maior demanda de exportação. Tanto que a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) defende a continuidade dos investimentos em bioseguridade.

Na análise da entidade, as indústrias gaúchas vendem para mais de 160 países justo por esse controle e garantia de procedência. Nos quatro primeiros meses do ano, o México comprou mais de 58 mil toneladas de frango do Brasil, um avanço de 128% na comparação com 2021.

Calçados em alta

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que entre janeiro e abril foram embarcados 53,72 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 434,65 milhões.

Representa 32,6% a mais de volume e de 68,2% em termos de receita na comparação com o mesmo período do ano passado.

Só em abril foram embarcados 13 milhões de pares, que geraram US$ 114 milhões, altas de 52,4% em volume e de 75,4% em receita na relação com o mesmo mês de 2021. Conforme a Abicalçados, é o melhor resultado para abril em 14 anos.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o aumento das exportações para os Estados Unidos foi fundamental para a performance positiva. “Existe um movimento de reposicionamento do mercado, de forma com que os Estados Unidos fiquem menos dependentes das importações asiáticas.”


Acompanhe nossas redes sociais: WhatsApp Instagram / Facebook