“Quantas vidas vamos perder até que tomem alguma providência?”

RSC-453

“Quantas vidas vamos perder até que tomem alguma providência?”

Programação especial às margens da RSC-453 reuniu prefeitos, empreendedores e promotor de Justiça. Condições da estrada são alvo de críticas pela manutenção precária. EGR promete obras no trecho na próxima semana

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“Quantas vidas vamos perder até que tomem alguma providência?”
Programa Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9, foi transmitido ao vivo de Mato Leitão nessa sexta (Foto: Henrique Pedersini)
Estado
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Principal ligação entre os vales do Rio Pardo e Taquari, a RSC-453 é uma importante via de escoamento da produção. A relevância econômica que possui, contudo, não é traduzida em melhorias por parte do estado. As condições de trafegabilidade há tempos deixam a desejar, e a demora por soluções em médio e longo prazo incomodam autoridades e empresários.

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As operações paliativas efetuadas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), responsável pelo trecho, não resolvem os problemas enfrentados por quem utiliza a rodovia. O Ministério Público de Venâncio Aires cobrou a estatal e aguarda respostas concretas sobre as obras na rodovia.

Segundo o promotor Pedro Rui da Fontoura, dois expedientes foram instaurados para averiguar as condições da RSC-453 e também da RSC-287, rodovia concedida à iniciativa privada ano passado. “Na 287, a Sacyr (empresa concessionária) agiu rápido e se mexeu. Aqui, não. Fiquei bem indignado quando cruzei o trecho em abril. Entendo bastante as reclamações das pessoas”, salienta.

Segundo ele, a EGR enviou cronograma de obras em março, mas os planos de começar as intervenções em maio foram frustrados porque a licitação foi suspensa pela Justiça. Fontoura conversou com o diretor técnico da EGR, Luis Fernando Vanacôr, que explicou o problema ocorrido na licitação.

“Eles tiveram reunião na quinta com a empresa que hoje trabalha na rodovia. A ideia é fazer um aditivo no contrato, para que faça melhorias do quilômetro zero ao 15, com ênfase do 7 ao 12, que é o pior trecho. Prometeram que haverá recapeamento, independente da licitação”, cita.

Na tarde dessa sexta-feira, 13, a EGR, em nota, confirmou que vai executar obras e intervenções que contemplam manutenção do pavimento, reparos localizados, roçada e limpeza em rodovias do Vale, inclusive na 453, do quilômetro zero ao 29.

Escoamento

O prefeito de Venâncio Aires, Jarbas da Rosa, não esconde a preocupação em relação a previsão de obras para a RSC-453. Lembra que Venâncio é o segundo maior polo de proteína animal dos Vales e os abates de aves, suínos e bovinos são feitos em frigoríficos de Lajeado, Encantado e Teutônia. Por isso, a rodovia é essencial ao desenvolvimento local.

“Quando fiquei sabendo da licitação e que a previsão mais otimista era para iniciar em agosto, aí sim que me preocupei. Uma coisa é esperar um dia, uma semana. Outra coisa são três meses. Quantas vidas vamos ter que perder nesse trecho para que tomem alguma providência?”, questiona.

Na próxima quarta-feira, 18, Rosa participará de audiência com o presidente da EGR, Luiz Fernando Záchia, em Porto Alegre. Também estarão presentes os prefeitos de Cruzeiro do Sul, João Dullius, de Mato Leitão, Carlos Bohn, e os presidentes das associações dos municipios do Vale do Taquari (Amvat) e Vale do Rio Pardo (Amvarp).

Direto da rodovia

Além do promotor Fontoura e do prefeito de Venâncio Aires, outros convidados participaram. Confira:

“O Estado não dá a devida importância para a RSC-453. Tem que ter alguma coisa errada com a manutenção.”
Carlos Bohn, prefeito de Mato Leitão

“Não dá para entender que as empresas gastem mais em pneus do que com qualquer outra coisa”.
João Dullius, prefeito de Cruzeiro do Sul

“Parece que os buracos brotam da noite para o dia. Isso nunca tem fim”.
Rodrigo Vinícius, corretor de imóveis

“É inaceitável. Alguém tem que tomar uma atitude para a manutenção ser bem feita”
Rogério Gottems, empresário

“No Distrito Industrial, são 500 funcionários. São 500 pessoas que cruzam a rodovia sem segurança todos os dias”
Cristian Bergesch, empresário


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