O Gre-Nal que não aconteceu

Opinião

O Gre-Nal que não aconteceu

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O sábado, que era para ser de alegria, virou um pesadelo para torcedores da dupla Gre-Nal que estavam no Beira-Rio. Um dia que ficará marcado na história do futebol gaúcho. Vergonha. Vexame. São as palavras mais apropriadas para descrever o que aconteceu em Porto Alegre.

Não foi uma simples pedra jogada em direção a um ônibus. Foi tentativa de homicídio. É crime. E poderia ter sido muito pior. Se a pedra tivesse acertado Villasanti com mais força ou em cheio na cabeça, as consequências seriam inimagináveis.

O autor do fato precisa ser punido. Ele conseguiu acabar com a noite de milhares de torcedores, que muitas vezes viajam por horas para ver seus times jogarem. Isso não é justo.

É fato que os dois times acertaram ao não entrar em campo. Mas faltou informações aos torcedores que estavam no entorno do estádio, ou até mesmo dentro. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Ninguém tinha informação sobre o assunto. As pessoas foram descobrindo aos poucos, através das redes sociais.

Foto: Júlia da Cunha

E mesmo com o gramado vazio, as torcidas de Inter e Grêmio faziam festa dentro do estádio. Os gritos e cantos podiam ser ouvidos do lado de fora, com clareza. Estes sim são os verdadeiros torcedores. Estes, que foram para o estádio apenas para apoiar o time que tanto amam. Para acompanhar uma partida de futebol.
Quem joga pedras contra o ônibus do time rival, quem depreda carros de torcedores, quem organiza brigas, quem faz emboscada para torcedores rivais, quem depreda estádio, são vândalos.

O que me incomodou em tudo isso foi a generalização. Torcedores não podem ser comparados com criminosos. Assim como não é justo chamar a torcida tricolor de racista, por um ato isolado de uma pessoa, não é justo falar que toda torcida colorada foi responsável pelo que aconteceu.

Precisamos de mais empatia no futebol. No esporte como um todo.

Na semana passada, o ônibus do Esporte Clube Bahia também foi atacado, e o goleiro Danilo Fernandes ficou ferido. No Paraná, a torcida invadiu o campo para bater nos jogadores, após o rebaixamento do Paraná Clube no campeonato estadual. No clássico CaJu, uma pessoa foi retirada do estádio antes do jogo começar, após proferir injúrias raciais contra um jogador. O ônibus do Cascavel FC também foi apedrejado pelos torcedores do Maringá, mesmo com a derrota do Cascavel.

O esporte perde com isso. O futebol perde com isso. Os torcedores de verdade perdem com isso. Precisamos repensar as atitudes. O esporte deve ser algo leve e feliz. Não deve ser palco de barbáries, como as que foram apresentadas nos últimos tempos.