Venda de imóveis cresce  e impulsiona expansão

Economia

Venda de imóveis cresce e impulsiona expansão

Mesmo com impactos do aumento da taxa Selic e do custo de materiais da construção, setor fechou 2021 com saldo positivo. Na região, construtoras lançam novos empreendimentos e confirmam cenário otimista

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Venda de imóveis cresce  e impulsiona expansão
(Foto: FELIPE NEITZKE)
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

A venda de imóveis novos cresceu 12,8% em 2021, na comparação com o ano anterior. Os lançamentos registraram aumento de 25,9% e a oferta final fechou o período com 3,8% de crescimento. Ao considerar apenas o quarto trimestre, as vendas subiram 3,6%, os lançamentos cresceram 24% e a oferta final ficou em 10,4% no mercado imobiliário nacional.

Os dados compõem estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica. De acordo com o levantamento, os lançamentos e as vendas do segundo semestre foram afetados pela mudança do cenário econômico, motivados pelo aumento de custos dos insumos da construção.

Além disso, a redução no poder de compra das famílias e a elevação das taxas de juros comprometeram o dinamismo no último trimestre, mas, mesmo assim, o ano encerrou com saldo positivo. Conforme dados do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do RS (Sinduscon), o custo da construção civil subiu mais que a reposição de salários. Enquanto o IPCA chegou a 10%, o índice do setor foi o dobro.

O estudo apresenta também números sobre a intenção de compra de imóveis. Os entrevistados apontaram que 38% das famílias querem comprar um imóvel nos próximos três meses. De acordo com o levantamento, o cenário é estável e aponta maior interesse por imóveis em cidades fora da região metropolitana.

No Vale do Taquari, o cenário otimista impulsiona novos investimentos. Construtoras preparam lançamentos e ajustam projetos para tendências de mercado e hábitos de consumo. A redução das taxas de juros é a expectativa para ampliar os financiamentos e elevar as vendas por meio de programa habitacional do governo.

“Poderia ter sido um ano ainda melhor”

Empresário do setor imobiliário, Diego Bertelli, destaca que a alta da matéria-prima da construção civil e elevação da taxa Selic impediram um desempenho ainda melhor. “Tem investidor que optou em manter o dinheiro aplicado e postergar a compra do imóvel”, comenta.

Por outro lado, considera que o Vale do Taquari apresenta muitos potenciais e atrai compradores de outras regiões. “Lajeado é um ponto privilegiado, tem vários recursos, tanto na área da educação quanto em saúde.”

Bertelli observa otimismo por parte dos construtores e novas oportunidades no mercado imobiliário. O novo limite oferecido pelo programa habitacional Casa Verde e Amarela, que passou de R$ 140 mil para R$ 187 mil, pode contribuir no aumento das vendas.

Lançamentos em 2022

As perspectivas também são positivas em relação ao lançamento de empreendimentos. De acordo com o engenheiro civil da Lucasa Construtora, Carlos Henrique Diehl, ainda no fim do ano concluíram o projeto e em janeiro apresentaram ao mercado um novo investimento. “Em duas semanas comercializamos 15% das unidades.”

Diehl atrela a velocidade das vendas aos diferenciais oferecidos, como localização privilegiada e amplo espaço para maior conforto dos futuros moradores. Esse empreendimento segue um novo padrão se comparado aos entregues em 2021. “Sempre buscamos melhorar nossos imóveis”, explica.

Sobre a alta de custos da construção civil, ressalta que os empreendimentos concluídos no ano passado não sofreram alterações, diante da compra antecipada do material. Diehl acredita que 2022 será mais um ano de crescimento nas vendas e boas oportunidades de investir em imóveis.

Mais crédito

A Caixa Econômica Federal confirmou ontem em reunião com representantes do Sinduscon-RS, o aumento de 10% das concessões de empréstimos para compra de imóveis em 2022.

Várias análises internas sustentam a estimativa, com destaque ao universo de clientes com crédito já aprovado junto ao banco. Em 2021, a Caixa concedeu R$ 140,6 bilhões em empréstimo imobiliário, alta de 21% sobre um ano antes, com a contratação de 616 mil unidades habitacionais.

No diálogo entre incorporadores, loteadores e construtores dois pleitos serão levados à matriz da Caixa para avaliação: aditivo contratual tendo em vista o aumento dos insumos na construção e a redução no prazo de liberação de valores recebidos de clientes, que atualmente acontecem no início do mês seguinte.


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