Asfalto deve aproximar turistas de belezas naturais

MARQUES DE SOUZA

Asfalto deve aproximar turistas de belezas naturais

Com apoio do governo estadual, obra de pavimentação, em Bela Vista do Fão, está prevista para iniciar em março

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Asfalto deve aproximar turistas de belezas naturais
Marques de Souza foi contemplado pelo programa Pavimenta RS nessa quarta-feira. Autoridades assinaram convênio no Centro Administrativo Fernando Ferrari
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A adesão de Marques de Souza ao programa Pavimenta RS foi assinada ontem no Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre. O aporte do governo estadual será de R$ 900 mil e será aplicado na pavimentação de pouco mais de 1 quilômetro em Bela Vista do Fão.

Com contrapartida municipal de cerca de R$ 180 mil, o investimento possibilitará o avanço do asfalto já existente na comunidade até um belvedere, ponto turístico para apreciação do rio Fão. O mirante fica a cerca de 2 quilômetros da divisa com Progresso.

“Se tudo der certo, em março já vamos ver máquinas trabalhando”, diz o prefeito Fábio Mertz. “Em um município com orçamento de R$ 25 milhões, um aporte de R$ 1 milhão é muito relevante”.

Conforme Mertz, outras cidades foram contempladas no programa após o anúncio de melhorias em rodovias estaduais, anunciado em junho. “Nas sobras de recurso, o Estado buscou atender os demais municípios”.

O fechamento de contrato ocorreu às 11h. Além do chefe do Executivo de Marques de Souza, o secretário de Desenvolvimento Urbano do RS, Luiz Carlos Busato, e o deputado estadual Dirceu Franciscon (PTB) participaram da cerimônia.

“O que mais falta é asfalto”

O distrito de Bela Vista do Fão tem uma escola, um posto de gasolina, um cartório e uma igreja. “O que mais falta é asfalto”, constata o agricultor e comerciante Abramo Groff, 78. “Se tivesse asfalto, as indústrias viriam para cá”.

O único trecho pavimentado inicia no mercado Bela Vista e vai até o armazém de Abramo. “A água é a maior riqueza da nossa vila”, afirma Groff, que mantém o estabelecimento no mesmo local faz mais de 40 anos.

Na praça central, há um poço artesiano. O volume da água captada ali atende toda a comunidade e passa da divisa do município. “Vai até lá em cima, em Progresso. Eu tenho duas casas e pago cota mínima, 20 e poucos pila”, relata Abramo.

“Muitos mercados já abriram aqui e todos quebraram. Eu só não quebrei porque também planto. Quando o bar não tá pra pinga, a lavoura tá pra milho”, brinca.

Groff participou do grupo que reivindicou o primeiro asfalto da comunidade. Segundo ele, o pavimento tem quase 30 anos, mas foi bem feito. “Isso ainda vai durar. Tem rachaduras porque passam caminhões pesados. Tem três olarias grandes na volta”.

Na época da  construção do asfalto, o distrito pertencia a Lajeado. Ele afirma que a obra foi uma promessa de campanha do ex-prefeito Leopoldo Feldens, que ocupou o cargo entre 1993 e 1997.

“Eles fizeram, mais ou menos, um quilômetro e meio. Se não me engano, era para ter ido um pouco mais, até o posto, ou talvez até a escola”, afirma Groff. “Se cada prefeito, desde que Marques de Souza se emancipou, fizesse dois quilômetros, a gente iria ter asfalto até lá”, conclui.

A vila Fão fica a 25 quilômetros do centro de Marques de Souza. O caminho é contrastante entre os caminhões e o movimento da rodovia da produção e a tranquila estrada de chão, às margens do Fão, com casas bem espalhadas.

Da ponte, na BR-386, que passa sobre o Rio até ao distrito, são 10 quilômetros de estrada não pavimentada. Além do asfaltamento próximo a Progresso, os moradores esperam malha asfáltica em outro trecho. A obra passaria em frente ao posto de gasolina, na outra ponta do asfalto já existente.

“Nós vamos ficar”

A olaria de Nei Rabaioli emprega 14 funcionários em Bela Vista do Fão. O empreendimento fica pouco antes do belvedere, onde a obra deve começar em março. Antes do anúncio da pavimentação, ele estava prestes a se mudar para Lajeado ou para um lugar mais próximo ao centro de Marques de Souza. Junto com a família Rabaioli, o empreendimento sairia do local.

“A minha esposa disse que não dá para aguentar a poeira. A gente pensava, seriamente em ir embora, agora trocamos de ideia. Nós vamos ficar”, afirma Nei.

Quando fala do asfalto, o empresário não consegue disfarçar a alegria.“A expectativa é muito grande. A família Rabaioli está muito feliz e os vizinhos então, nem se fala”.

Ele afirma que a promessa de asfalto, em frente a casa e a empresa, é uma promessa de mais de 25 anos. “Desde que o município de Marques existe, sempre houve o comentário de que nós íamos ganhar esse asfalto. E graças a Deus, agora nós vamos ganhar”.

Potencial turístico

A manutenção das empresas na cidade não é a única motivação para a escolha do local do asfalto. O acesso à região alta do Vale do Taquari e o mirante, inaugurado em 2019, foram critérios observados pela administração municipal.

A ideia é aproveitar a vista para o Rio Fão para incluir a comunidade na rota de visitantes. O distrito possui uma vinícola, casarões antigos reformados para servir de pousada e a tradicional Festa da Bergamota.


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