Empre_Inove instiga para a transformação nos negócios

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Empre_Inove instiga para a transformação nos negócios

Evento reuniu mais de 400 empresários, executivos e profissionais estratégicos no Clube Tiro e Caça

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Empre_Inove instiga para a transformação nos negócios
Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Primeiro grande evento empresarial realizado presencialmente no Vale do Taquari desde o surgimento da pandemia, o Fórum Estadual de Empreendedorismo, Estratégia e Inovação – Empre_Inove 2021 desafiou empresários a transformar o futuro das empresas.

Realizado pelo Grupo A Hora em parceria com a Acil, o evento reuniu mais de 400 empresários, executivos e profissionais estratégicos, para debater temas voltados para o empreendedorismo, governança, inovação e agronegócio.

Com palestras do presidente e fundador da Sim Rede de Postos, Neco Argenta, do sócio-fundador e conselheiro da Santoro & Partners, Daniel Santoro, e do presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann, o evento contou ainda com painel sobre o DNA inovador da mulher frente aos negócios.

Mediado pela superintendente da Unimed VTRP, Rosilene Knebel, o debate teve participação da CEO nas Lojas Gang, Ana Luiza Ferrão Cardoso, da CEO da Bebidas Fruki, Aline Eggers Bagatini, e da CEO da Ciamed Distribuidora de Medicamentos, Renata Galiotto.

Integrante da terceira geração do Grupo Liz Ferrão, detentor das marcas Gang, Pompéia e Possibilita, Ana Luiza Ferrão Cardoso falou sobre a trajetória à frente da marca. Ela assumiu a direção da Gang em 2014, aos 28 anos, e liderou o processo de reposicionamento da marca, até então voltada a todos os itens de moda para adolescentes.

Hoje, a Gang trabalha com uma coleção mais minimalista, focada em “jovens de todas as idades.” Segundo ela, a Gang carrega fortes características do DNA feminino. Dos seis gestores administrativos da empresa, três são mulheres. Se consideradas todas as empresas do Grupo Liz Ferrão, das 101 lojas, 91 têm mulheres como gerentes. “Muito mais do que números, é um olhar feminino da gestão.”

Para Ana Luiza, isso representa uma preocupação maior com as pessoas, além de uma gestão mais intuitiva, detalhista, comunicativa, flexível e colaborativa em busca dos resultados. “Tudo isso gera engajamento, tanto das pessoas que trabalham na empresa quanto dos consumidores que são fiéis à marca.”

Renata Galiotto afirma que a jornada empreendedora é mais difícil para as mulheres porque elas dividem o tempo dedicado à empresa com os cuidados da casa e a família. Lembra que, hoje, as mulheres não trabalham por opção, e sim por necessidade ou ambição de alcançar as próprias conquistas.

“Quando olho para o futuro, continuo vendo esse desafio para minhas filhas”, aponta. Segundo ela, hoje o mercado reconhece a capacidade das mulheres, que devem conquistar ainda mais espaço e enfrentar novos desafios.

Conforme Renata, o futuro reserva às mulheres a conquista de novos espaços e desafios. “Temos um carinho e uma forma diferente de abordar e falar com as pessoas. O sucesso reside no equilíbrio dessa nossa forma de agir com a forma de agir dos homens.”

Aline Eggers reforçou as características inerentes às mulheres nos negócios e falou sobre o desafio de inovar em uma empresa com quase cem anos de história. Segundo ela, por mais que a Fruki tenha se valido da inovação para crescer ao longo da sua trajetória, o que a empresa enfrentou na pandemia exigiu esforços ainda maiores.

“Foi completamente disruptivo, porque tínhamos um planejamento e uma lógicca que não faziam mais sentido”, lembra. Conforme Aline, a empresa fez um novo mapeamento da cultura da organização, dentro desse novo contexto desafiador.

“Olhamos para aqueles pontos que nos impediam de ser mais rápidos e tomas decisões assertivas”, aponta. O trabalho ainda está em andamento, e visa criar uma cultura onde a inovação não esteja apenas no quadro dos executivos da empresa, mas sim imbuída em todas as pessoas que fazem parte da Fruki.

Debate entre empresárias exaltou protagonismo feminino
à frente dos negócios. (Foto: Thiago Maurique)


Crescimento constante

(Foto: Thiago Maurique)

Primeiro palestrante do evento, Neco Argenta abordou a história de empreendedorismo que resultou na criação da SIM Rede de Postos, em palestra mediada pelo empresário Roberto Luchese, diretor da Lyall construtora e incorporadora. De família humilde, ele começou a empreender ao lado do irmão Deunir, na cidade de Flores da Cunha, com uma pequena empresa de comércio e representações, chamada Ditrento.

A empresa cresceu e incorporou atuação em sete segmentos distintos. Em 2009, os irmãos decidiram mudar a estratégia, direcionando o trabalho e os recursos para a operação de postos de combustíveis. Hoje, a Rede Sim tem 150 postos de gasolina espalhados pelos três estados do Sul do Brasil, 3,5 mil funcionários, e projeta para 2021 um faturamento total de R$ 7,1 bilhões.

Para Argenta, a inovação é o cainho que garantirá o futuro do Grupo Sim. Segundo ele, os combustíveis fósseis ainda serão parte importante da matriz energética por mais 30 anos, mas a empresa se prepara para ser uma referência em conveniência que também vende gasolina.

“Não existe inovação sem pessoas que transformem nossos sonhos em realidade”, afirma. O grupo empresarial possui uma escola corporativa que treina em média 5 mil pessoas por ano. Segundo ele, o objetivo é contratar frentistas e transformá-los em gerentes.


Responsabilidade corporativa

(Foto: Thiago Maurique)

Com mediação do presidente da Sicredi Integração RS/MG, Adilson Metz, Daniel Santoro apresentou a palestra sobre o papel da governança para o sucesso das organizações. Ele apontou as transformações no mundo corporativo que tornaram o conceito imprescindível para o desenvolvimento das empresas.

Segundo ele, a governança começou a surgir de maneira mais forte a partir dos escândalos que envolveram a crise da Enron e das empresas pontocom, no início dos anos 2000. Na época, foram criadas as primeiras leis que determinavam os requisitos para empresas operarem na bolsa de valores, para evitar danos aos investidores. Mesmo assim, em 2008 ocorreu a crise imobiliária, que foi sucedida por novas regras voltadas para a responsabilidade.

Hoje, o ESG é utilizado pelo mercado como métrica para as empresas. Segundo ele, a Governança Corporativa representa uma série de instrumentos e ações para dirigir e monitorar as organizações, baseado nos conceitos de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. “Você tem todo o direito de fazer o maior lucro que puder, desde que isso não seja prejudicial às pessoas ou à natureza. Não tem sucesso que valha uma vida perdida.”


Força do Agronegócio

Mediada pelo presidente do Grupo Imec, Leonardo Taufer, a última palestra do evento foi proferida pelo presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann, que falou sobre o crescimento do agronegócio brasileiro. Segundo ele, o Brasil passou por uma revolução no campo que permitiu que o país se tornasse o grande produtor de alimentos que é hoje.

Hermann apresentou números que mostram o papel do país na alimentação do mundo. Hoje, o Brasil tem a balança comercial mais superavitária do mundo no agronegócio. “A riqueza do Brasil é o agro.”

Hermann afirma que o Brasil ainda precisa elevar em 41% a sua produção para que o mundo não passe fome no futuro. Ele a transformação que ocorre a partir do investimento maciço em tecnologia para o setor. Entre as tendências, ressalta o aumento da produtividade e da competitividade, a digitalização e o rejuvenescimento da população envolvida com o setor. “Esse é o negócio do Brasil. Tenham orgulho do Agro.”