Alta da inflação torna ceia mais cara em 2021

ECONOMIA

Alta da inflação torna ceia mais cara em 2021

Preço do Panetone, um dos produtos mais consumidos no Natal, aumentou quase 26% desde dezembro do ano passado. Alimentos como o pernil e o lombo tiveram queda, mas tendência é de elevação nas próximas semanas

Alta da inflação torna ceia mais cara em 2021
Lajeado

Ainda restam 40 dias para o Natal, mas os consumidores já sentem no bolso os efeitos da inflação nos preços dos itens mais consumidos no período. Um levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta uma alta de 5,91% no custo da cesta de produtos de Natal.

Os dados levam em consideração a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de outubro deste ano e compara com os preços dos itens na quarta semana de dezembro de 2020. O valor total da cesta passou de R$ 309,86 para R$ 328,17. Contudo, segundo o estudo da Fipe, a tendência é de que o custo se eleve até o fim do ano.

Produto mais procurado neste período para a Ceia de Natal, o panetone já está 25,96% mais caro na comparação com dezembro do ano passado. Outros produtos pesquisados pela Fipe que tiveram expressiva alta são a azeitona verde sem caroço (21,91%) e o bombom de chocolate (12,83%), este último uma das opções favoritas dos consumidores para presentear familiares ou amigos.

Por outro lado, itens como a carne suína (-9,76%) e o lombo com osso (-0,53%) tiveram recuos neste período, mas tendem a aumentar até dezembro. Ao todo, a pesquisa avalia 26 produtos. São 15 que integram a chamada cesta de Natal e 11 que estão na lista de outros itens natalinos.

Queda na oferta

Segundo o doutor em economia Rafael Spengler, a alta no preço do panetone encontra explicações na questão da inflação, cuja projeção para 2021 é de 10%. Mas principalmente devido ao preço da farinha de trigo, produto que o país importa cerca da metade que consome.

“Essa alta ocorreu por uma queda na oferta do produto, aliado ao aumento do preço do dólar”, pontua. Conforme Spengler, além do panetone, alimentos como pernil e chester, muito consumidos nesta época do ano, tem seus pesos elevados no cálculo de índices de inflação. “Dessa forma, uma alta dos preços nesses itens tem um impacto maior na inflação de dezembro do que de junho, por exemplo”.

Atrás de uma boa oferta, o motorista Lucas Miorando, 30, foi até um supermercado do Centro de Lajeado para comprar panetones. A compra com antecedência, no caso dele, tem um outro motivo. “Todos deixam para a última hora, mas o filho pequeno adora, então preferi me antecipar. Infelizmente está aumentando muito o preço”, comenta.

Rendas extras

Como forma de evitar surpresas no preço dos produtos da Ceia de Natal, a solução encontrada para muitas famílias é ir às compras com antecedência. Alguns estabelecimentos oferecem descontos nesta época, antes do período de maior procura, que é nas duas semanas que antecedem a data.

Outras aproveitam a entrada de recursos extras para não passar aperto nas compras de Natal, como o 13º salário. Contudo, Spengler alerta. “Cada pessoa deve refletir se o dinheiro está sobrando ou não. O recomendado sempre é usar o 13º para quitar ou renegociar dívidas e criar uma reserva para as despesas de início de ano”, afirma.

Variação de preços da Cesta de Natal e outros itens (*)

• Bolo pronto: 5,63%
• Caixa de bombom 251g: 12,83%
• Champagne 660 ml: 4,75%
• Chester kg: 7,27%
• Farofa: 13,45%
• Lombo de porco com osso (bisteca) kg: -0,53%
• Panetone 500g: 25,96%
• Pernil com osso kg: -9,76%
• Peru kg: 7,27%
• Sorvete: 3,24%

(*) Valores de outubro de 2021, em relação aos da penúltima semana de dezembro de 2020.

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