As cooperativas são fundamentais para a manutenção da produção agrícola diante das dificuldades impostas pelo mercado externo e fatores climáticos. O aumento dos custos em energia elétrica, gerada pela crise hídrica, e dos insumos, pela concorrência global, são apontados como principais limitadores dos negócios agropecuários.
Nesse cenário adverso, a cooperativa de crédito, Sicredi, se consolida como a segunda maior financiadora do agronegócio no Brasil, e a principal do Vale do Taquari. O gerente da Sicredi Ouro Branco, Francisco Diel, conta algumas estratégias do banco para o setor.
Na região, representantes da empresa visitaram mais de 1,3 mil produtores para entender as necessidades dos agricultores.
“Nós implantamos um setor específico chamado Departamento da Agricultura familiar e do Agronegócio, onde nós colocamos inteligência e intensidade nesse segmento”, diz Diel.
O presidente da cooperativa Dália, Gilberto Piccinini, revela que 50% do resultado da produção vai para um fundo de reserva para suportar os associados em momentos adversos como esse. A competição com o mercado chinês se mostrou o principal empecilho do setor primário neste ano.
Além do principal comprador de proteína brasileira diminuir as aquisições, os chineses começaram a buscar o insumo mais utilizado em rações. “A China concorreu conosco duas vezes. Parando com a exportação e comprando o milho”, constata Piccinini.
O vice-presidente da Câmara do Comércio, Indústria, Serviços e Agricultura (Cacisa), Pedro Barth, lembra uma desvantagem competitiva dos produtores gaúchos. O RS perdeu espaço para as produções de frango do Paraná e de Santa Catarina, tanto em exportação, quanto em produção.
Barth credita o problema aos custos logísticos pela localização geográfica. “No Brasil, nós somos uma ponta. O milho, estamos trazendo do Centro do país, do Mato Grosso e Paraná”.
A solução passa também pela criatividade dos agricultores nas culturas de inverno. Deve-se pensar uma forma de produzir grãos que possibilitem a redução dos gastos na produção.