Setor calçadista abre vagas e puxa retomada de empregos

Economia

Setor calçadista abre vagas e puxa retomada de empregos

Em agosto e setembro, indústria aumenta produção e busca por trabalhadores. Em Teutônia, das 231 vagas criadas nos dois meses, mais de 86% são de empresas calçadistas

Setor calçadista abre vagas e puxa retomada de empregos
Foto: Divulgação
Vale do Taquari

O período de baixa nos pedidos, queda na produção e instabilidade, começa a ficar para trás. A indústria calçadista do RS registra alta na empregabilidade. Pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em setembro, o setor foi o que mais empregou na indústria, com mais de 2,2 mil novos postos.

No Vale do Taquari, municípios com manufatura de calçados seguiram essa tendência. Com destaque para Teutônia. Dos 231 empregos em agosto e setembro, 200 foram em fábricas do segmento, conforme estimativa do Sindicato das Indústrias Calçadistas e do Vestuário de Teutônia e Região (Siticalte).

“Entre o ano passado até o primeiro trimestre de 2021, foram pelo menos mil postos perdidos. Agora temos uma retomada. Pelo nosso acompanhamento, ainda não foram todas repostas”, afirma o presidente do sindicato, Roberto Müller.

Essa elevação deve se manter para os próximos meses, avalia o presidente da Câmara Industrial e Comercial de Teutônia (CIC), Airton Kist. De acordo com ele, as duas maiores indústrias do setor no município elevaram a produção. Isso fez com que os ateliês, que prestam serviço, também precisassem aumentar o quadro de funcionários.

Com a alta do dólar, as exportações estão atrativas. “O setor de calçados é muito dinâmico. Da mesma forma em que demite devido a alguma instabilidade, também retoma o patamar anterior em caso de reação do mercado”, diz Kist.

Além de Teutônia, também houve aumento nas contratações da indústria de calçados em Arroio do Meio, Santa Clara do Sul, Travesseiro, Mato Leitão e Bom Retiro do Sul. Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a perspectiva para esse ano é de um crescimento de 12,2% na produção ante o resultado de 2020.

Vagas abertas

Proprietário de uma fábrica de calçados em Teutônia, Vanderlei Weiand, enaltece o momento para o segmento. “Está muito bom. Há muita demanda e estamos contratando”, diz. No ano passado, relembra, a empresa chegou a fechar por falta de pedidos. “Ficamos 21 dias sem produção entre março e abril. Não havia faturamento e os custos seguiam. Houve uma pequena volta nos meses seguintes, mas a demanda era de 50% do que tínhamos antes da pandemia.”

A empresa presta serviços para indústrias de grande porte do município e nos meses de agosto e setembro contratou 20 funcionários. Apesar das novas vagas abertas, encontra dificuldade em fechar a equipe. “Temos uma grande rotatividade. Os trabalhadores do município migram entre calçados e indústria de alimentos.” Junto com as perdas de funcionários para outros segmentos, ainda relata a falta de qualificação da mão de obra em diferentes níveis de trabalho.

“Não temos mão de obra suficiente”

As afirmações de Weiand também estão presentes no debate da CIC. “As empresas estão buscando trabalhadores de fora de Teutônia. De fato, não temos mão de obra suficiente”, destaca Kist. Pelas estimativas da instituição, das mais de 10,3 mil carteiras assinadas na cidade, quase 2 mil trabalham no setor calçadista.

Pela representatividade nas atividades produtivas do município, a CIC, em conjunto com o Senai e com o governo municipal, elaboram um programa específico para qualificação da mão de obra nesta área.

“Sabemos que é um trabalho que precisa de tempo para se consolidar. No entanto, precisamos reconhecer a importância na nossa cadeia econômica”, comenta Kist. Para ele, é preciso intensificar a sintonia entre os diferentes elos, setor privado, público e escolas, para soluções conjuntas para os negócios.

Isso começa com uma revisão de prioridades inclusive sobre políticas públicas e investimentos, diz. “Olha o orçamento de Teutônia. Supera os R$ 150 milhões. Se formos analisar o quanto vai para cada secretaria, vamos perceber que a pasta da indústria e comércio tem poucos repasses. A classe empresarial é praticamente autônoma. Isso não é bom. Precisamos de projetos conjuntos para o desenvolvimento local e regional.”

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