Rodovia precária gera críticas, prejuízos e insegurança

332: ROTA DA ERVA-MATE

Rodovia precária gera críticas, prejuízos e insegurança

Líderes cobram mais investimentos no principal acesso da microrregião alta ao norte do estado. Governo anunciou R$ 11,5 milhões em obras, mas qualidade dos reparos é questionada

Rodovia precária gera críticas, prejuízos e insegurança
(Foto: Felipe Neitzke)
Vale do Taquari

Dirigir por uma estrada mal sinalizada, com buracos, vegetação sobre a pista e falta de acostamento é o drama de quem utiliza a ERS-332. A rodovia liga a região alta do Vale, um dos principais polos da erva-mate, ao norte do estado. São 94,8 quilômetros entre Encantado e Soledade. Alguns trechos estão em obras, mas os recursos são considerados insuficientes.

Através do programa Avançar RS foram autorizados R$ 11,5 milhões para serviços em toda a rodovia. O recurso é aplicado no recapeamento de pontos mais críticos. As obras se concentram em Doutor Ricardo e Arvorezinha. As ações, no entanto, são questionadas. Autoridades e líderes locais criticam o material utilizado e a durabilidade dos reparos.

Conforme o Daer, essas questões já foram identificadas pela equipe da 11ª Superintendência Regional de Lajeado, que acionou a empresa para fazer os ajustes. A correção dos defeitos, sem ônus ao Estado, iniciaram este mês. A expectativa é de concluir todos os serviços em dezembro deste ano.

Os pedidos por melhorias ocorrem mediante pressão de líderes. No ano passado, através de solicitação do Ministério Público, a Justiça determinou obras entre Arvorezinha e o acesso de Anta Gorda.

Empresa concentra recuperação de trechos da rodovia em Doutor Ricardo (Foto: Felipe Neitzke)

Recurso insuficiente

Na avaliação do presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ivandro Rosa, as intervenções paliativas não resolvem os problemas da rodovia. Ele aponta ainda, a necessidade de pelo menos R$ 30 milhões para promover obras de conservação da estrada.

“Antes de tapar buracos é preciso sanar problemas estruturais. Em muitos pontos a água fica acumulada sobre a pista, a drenagem já não funciona mais, sem falar da falta de roçadas e sinalização”, alerta Rosa.

O líder defende também a inclusão da rodovia no plano de concessões do governo gaúcho. No entanto, afirma que a região recebeu a negativa por parte do Piratini, que avalia ter fluxo insuficiente para o modelo convencional de pedágio.

“O modelo de cobrança por quilômetro percorrido, free flow, seria uma possibilidade para a região. Nós como entidade temos o maior interesse em desenvolver a parte alta, que hoje sofre com uma rodovia de péssima qualidade, local de acidentes frequentes e entrave ao desenvolvimento”, critica Rosa.

Na avaliação do presidente da CIC-VT, dentre as rodovias gaúchas, a 332 é a única com mais de 90 quilômetros e sem pedágio. Embora de responsabilidade do Daer, afirma que a estrada não recebe os devidos investimentos.

Mobilização

O prefeito de Doutor Ricardo e presidente do consórcio intermunicipal G-17, Alvaro José Giacobbo, atesta a mobilização regional por melhores condições da estrada. “O valor anunciado pelo Estado até pode parecer bastante dinheiro, mas insuficiente para fazer toda a recuperação da rodovia”, comenta.

O motivo mais recente da mobilização foi a qualidade dos reparos. Conforme o gestor, a durabilidade do material é inferior e após chuva trechos voltaram a ter buracos. “Agora estão recapeando alguns trechos em Doutor Ricardo, reforçamos nossa fiscalização a fim de garantir um obra de qualidade”, destaca.

A região também aguarda por serviços de roçada e sinalização. Em dias de chuva, à noite ou com incidência de neblina são períodos de maior preocupação aos motoristas. “Nós já pagamos o pedágio em Encantado, queremos uma melhor atenção para esta estrada”, defende o prefeito de Doutor Ricardo.

Além do setor ervateiro, a microrregião alta concentra investimentos na produção de grãos, aves, gado de corte e leiteiro, suínos e tabaco. A rodovia escoa os itens da agricultura e também é porta de entrada dos insumos e da atividade industrial.

Polo da erva-mate

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Mate do Rio Grande do Sul, Álvaro Pompermayer, toda a estrada é um problema, pois aumenta os custos de manutenção, tempo de viagem e preocupação dos motoristas.

O presidente do Sindimate destaca a relevância do alto Taquari na produção de erva-mate. Cerca de 60% da produção gaúcha provém dessa região. São mais de 20 mil hectares cultivados. “Nós não temos entressafra, sempre estamos produzindo. Tem um grande fluxo de veículos de carga na 332”, pontua.

Pompermayer lamenta a ineficiência de governos em manter a estrada com condições dignas de uso. “A rodovia se resume a um conjunto de remendos. É preciso recapear, mas um serviço de qualidade, que não deteriore com a primeira chuva”, atenta.

Despesas com manutenção

O gerente administrativo Marcos Rodrigues, mora em Lajeado e trabalha em Anta Gorda. O deslocamento de 70 quilômetros ocorre em cerca de 1h20min. “A maior lentidão é na ERS-332, não tem como acelerar, é uma estrada estreita, repleta de problemas”, comenta.

Além do desgaste do veículo, aumento de despesas com manutenção, há ainda, o risco de acidentes. “A rodovia expõe o usuário a perda financeira e da vida”, cita.Na empresa em que trabalha, a movimentação de veículos de carga passa de 40 ao dia.

A empresa conta com centro de distribuição na região alta, onde a 332 é a principal via de acesso. “As condições da estrada refletem em maior tempo de viagem e encarecem o frete. O trabalho paliativo já não resolve mais o problema dessa estrada”, diz Rodrigues.

Programa de concessões

O economista Ardêmio Heineck defende a inclusão da rodovia no programa de concessões. “É uma microrregião extremamente progressista e o Vale do Taquari, de forma injusta, virou as costas para aquela região”, fala.

Ardêmio afirma que quem passa pelo local observará belas paisagens do Vale do Taquari, porém a estrada tem muitos buracos, não tem acostamento e o matagal invade a pista em alguns pontos. “Temos que incluir a ERS-332 no programa de concessões do Estado.”

Acidente com vítimas

O Morro da Guabiroba é um dos trechos com maior ocorrência de acidentes. A estrada sinuosa, estreita e com sinalização comprometida, desafia os motoristas. Em caso recente, o capotamento de um caminhão resultou na morte dos ocupantes do veículo, um homem de 29 anos e outro de 32.

O acidente ocorreu no quilômetro 10 da rodovia, próximo da divisa de Doutor Ricardo com Encantado. O veículo com placas de Santa Catarina laranjas.

Condições da ERS-332

  • Trecho do pórtico de Encantado até o acesso a Relvado com buracos e desníveis na pista;
  • Sinalização inexistente e vegetação sobre a faixa de rodagem no Morro da Guabiroba até próximo ao perímetro urbano de Doutor Ricardo;
  • Asfalto gasto e ondulações na estrada, ausência da sinalização horizontal e refletores;
  • Obras com remoção de parte do asfalto em Linha Leopolda, km 24 da rodovia;
  • Vegetação cresce entre as faixas de rodagem próximo a Linha Rio Verde;
  • Asfalto com desgaste e remendos entre o acesso de Anta Gorda e Ilópolis;
  • Buracos e imperfeições no asfalto até entrada de Arvorezinha;
  • Cerca de 10 quilômetros foram recapeados entre Arvorezinha e Soledade.

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