Da Região Metropolitana até as fronteiras com Argentina e Uruguai. A paixão pelo trailismo reuniu cerca de 130 pessoas em Estrela desde a última quinta-feira, 16, para a primeira edição da Trailerfest. Ocorreu também a inauguração de um ponto de apoio para os adeptos no Parque da Lagoa, com direito a brinquedos para a diversão das crianças.
A estrutura é a segunda no Rio Grande do Sul, mas, de acordo com um dos coordenadores do grupo Trailistas RS, Miguel Maris, o primeiro espaço, localizado em Tupandi, tem capacidade para apenas quatro vagas. O local preparado em Estrela pode receber até 45 equipamentos e teve 42 no período do evento. Ele explica que os campistas, como também são conhecidos os viajantes em trailers, necessitam de um ponto onde possam ter água, luz e pernoitar.
No ponto de apoio estrelense se encontraram pessoas de vários locais do estado. Maris é de Porto Alegre, mas conta que integrantes do Vale dos Sinos, Planalto Médio e até das fronteiras com Argentina e Uruguai estiveram no evento. E a época do ano escolhida não foi uma coincidência. O último grande encontro oficial foi no feriado farroupilha de 2019, em Cambará do Sul.
“Tem que ter um espírito para esse tipo de vida”
Morador de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, mas quase sempre na estrada. Este é Ricardo Martinez, policial aposentado, que começou a se aventurar no início dos anos 90. Nas andanças dentro de um trailer, ele e a família conheceram boa parte do Brasil, além de locais na Argentina e no Uruguai.
Ele conta que o estilo de vida lhe deu grande crescimento no âmbito cultural e ajudou a desmistificar uma imagem de outras regiões do país. E valoriza a questão estrutural ao elogiar a infraestrutura viária desses locais. “Regiões como o Norte e o Nordeste são maravilhosas. É vendida para nós uma imagem que lá não tem nada, o que não é verdade”.
Nas andanças mais recentes, Martinez destaca um roteiro que onde a família encarou uma viagem pelo Centro-Oeste até chegar a Porto Velho, em Rondônia. E os planos não param por aí. “Esse ano vamos fazer um roteiro diferente. Vamos por Brasília, até Ji-Paraná e fazer toda a região do Delta do Paranaíba, lá em São Luís do Maranhão”, projeta Martinez.
A família chegou no Parque da Lagoa na última sexta-feira, 17, e ficaram até ontem. Martinez conta que a esposa e os dois filhos, de 18 e 15 anos, sempre acompanham as viagens. “Eles praticamente nasceram na estrada e se criaram viajando entre dezembro e março”. Mas não é só no verão que o grupo pega a estrada. “Viajamos uma 14, 15 vezes durante o inverno, viagens curtas de 3 a 6 dias. Mas aí são viagens curtas para o Montevidéu, Buenos Aires, entre outras”, afirma.
Para ele, é uma forma de viver acessível para todos, desde que se tenha foco. “Tem que ter um espírito para esse tipo de vida. E meu foco sempre foi isso, o caravanismo, as viagens, curtir com a família.” Sobre a família, Martínez valoriza a presença dos filhos. “Quantos meninos hoje em dia têm mais de 18 anos e não acompanham mais os pais? Se eles têm namorados, chega essa época e eles dizem, ‘amor, ó, tchau pra ti que nós vamos viajar, só voltamos em março (risos)’”, conta.