Mais ação e menos discurso!

Opinião

Paulo Cezar Kohlrausch

Paulo Cezar Kohlrausch

Prefeito de Santa Clara do Sul e presidente da Amvat

Mais ação e menos discurso!

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CRON - Lateral vertical - Final vertical

Como seria se nós vivêssemos em uma nação amadurecida política e culturalmente, onde as discussões permeassem temas relevantes de interesse coletivo e cujos resultados pudessem representar um avanço social e econômico do país? E se os debates centralizassem estratégias no sentido de fortalecer a estrutura de educação para dar mais oportunidades à população, aprimorar o atendimento na saúde para ofertar mais bem-estar às pessoas, melhorar a infraestrutura e a segurança para garantir uma maior tranquilidade e qualidade de vida a todos?

Neste momento cada vez mais polarizado que vivemos, marcado pelo extremismo de ideias e ações, esses assuntos infelizmente têm ficado à margem da hostilidade, do individualismo, da politicagem e, principalmente, do populismo. Não é de hoje que percebemos esse arrefecimento cultural em nosso país, o qual também reflete politicamente e impede que, de fato, consigamos avançar enquanto uma nação.

Compreendo a importância do clamor popular como ferramenta de mudança, desde que isso ocorra de maneira salutar, sem viés eleitoral nem partidário. As recentes manifestações políticas merecem uma reflexão aprofundada. Primeiro, sobre o que realmente interessa ao povo nos dias de hoje? Qual de fato é o problema do país e quem pode fazer essa mudança? E quais foram verdadeiramente os resultados dos protestos?

As manifestações mostraram que o poder constituído é insensível a voz das ruas. E que o debate de temas importantes e que podem legitimamente mudar o país, mais uma vez ficam em segundo plano. As reformas tributária, política e administrativa são uma prova disso. Passa ano, entra ano, tais assuntos entram na pauta das discussões, mas acabam se perdendo em meio ao emaranhado de interesses que travam o progresso do Brasil.

Para exemplificar como essa realidade está enraizada na cultura do povo, basta olhar para trás e analisar a história política do país. Tivemos reis, imperadores e provamos da monarquia. Também passamos por períodos de regências, por um curto momento de parlamentarismo “disfarçado”, épocas ditatoriais e as mais diversas faces do presidencialismo. Ou seja, provamos de tudo e até agora muito pouco deu certo. Sempre voltamos para o mesmo ponto: o recomeço da esperança.

Passou da hora de amadurecermos cultural e politicamente, sob pena de eternizarmos esse cenário improdutivo, de poucas perspectivas de avanços e cujos interesses particulares infelizmente têm se sobreposto aos coletivos. Não podemos fingir que acreditamos na democracia. Temos que ser de fato. Como dizia Albert Einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Precisamos de mais ação e menos discurso. O melhor protesto é nas urnas!