Em meio a plano de concessões, EGR aumenta tarifa

Mais caro para caminhões

Em meio a plano de concessões, EGR aumenta tarifa

Representação das transportadoras avalia ingressar na Justiça para barrar reajuste, que pode chegar a 439% para veículos pesados. Das 14 praças da autarquia, 12 terão mudanças nos preços a partir de hoje

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Em meio a plano de concessões, EGR aumenta tarifa
Estado
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Às vésperas da extinção, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) coloca em prática o Programa de Recomposição Tarifária e provoca manifestações contrárias, em especial dos representantes das transportadoras.

A nova tabulação dos preços do pedágio estavam em discussão fazia um ano e meio. A previsão inicial era de começar a valer em abril de 2020. Devido a pandemia o prazo foi transferido para junho. Diante da continuidade da pandemia, a decisão foi postergada de novo.

Conforme a EGR, a medida integra um alinhamento para padronizar a cobrança conforme o modelo adotado em todo o país. Pela decisão, a tarifa básica atual cai para automóveis. De R$ 7 para R$ 6,30. Pela estimativa da autarquia, 80% do tráfego nas praças são de veículos de passeio.

O novo preço vale para oito das 14 praças da EGR. Dentro das rodovias concedidas que fazem parte da malha do Vale do Taquari, em Cruzeiro e Boa Vista do Sul, a redução vale a partir de hoje.

Em outra ponta, veículos pesados pagam mais. O reajuste vai de 51% até 438% (confira tabela abaixo). Segundo o diretor-presidente da EGR, Marcelo Gazen, o objetivo é aderir ao sistema praticado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com os caminhões pagando o valor da tarifa básica multiplicado pelo número de eixos do veículo.

A revisão não atinge a ERS-287, em Venâncio Aires e Candelária, devido ao fato de ser um trecho concedido para o grupo espanhol Sacyr. Por contrato, a concessionária assume a rodovia de Tabaí até Santa Maria até o fim de agosto.

“A EGR não entrega em serviços”

Vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do RS (Setcergs), Diego Tomasi, critica a revisão das tarifas em meio ao debate sobre o novo plano de concessões. “É um absurdo. A EGR não entrega em serviços aquilo que pagamos.”

De acordo com ele, o custo do pedágio impacta de forma direta nos serviços de transporte. Frente a isso, Tomasi realça a possibilidade de uma nova elevação nas tabelas de logística, em especial nas operações dentro do RS.

“Há diferentes reflexos. Quando olhamos para o transporte de longo percurso, há pouco tráfego nas rodovias estaduais. Agora, quando é entre as regiões gaúchas, haverá um encarecimento do serviço”, compara.

A Federação das Empresas de Transporte (Fetransul) também é contra o aumento. A diretoria da entidade pretende se reunir nos próximos dias para adotar uma posição mais contundente sobre os pedágios da EGR. A partir disso, uma das possibilidades é ingressar na Justiça contra a nova tabulação das tarifas.

A Federação representa 13 sindicatos patronais, 13 mil empresas gaúchas de logística e transporte rodoviário de cargas, com uma frota estimada em 270 mil caminhões. Pela análise da Fetransul, até então, a EGR adotava um sistema próprio de cálculo, em que um eixo comercial respondia a 0,59 da tarifa básica. A partir de agora, um eixo passará a ser igual a uma tarifa básica, multiplicando conforme o número de eixos.