Cães comunitários são alternativa para canis superlotados

CUIDADO COLETIVO

Cães comunitários são alternativa para canis superlotados

Bela e Belo passaram a ser cuidados de forma coletiva por comerciantes da rua Bento Gonçalves

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Cães comunitários são alternativa para canis superlotados
Marlene e Sérgio ajudam nos cuidados de Belo e Bela, cães comunitárioso (foto: Renata Lohmann)
Lajeado
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Com mais de cem animais acolhidos, o canil municipal de Lajeado está superlotado. Para reduzir essa dependência, o cuidado comunitário pode ser uma alternativa. Coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses e Vetores (CCZV) de Lajeado, Celi Ulrich, conta que existem vários casos bem sucedidos desse cuidado comunitário de cães na cidade.

Bela e Belo são um desses casos. Bela entrou nas vidas de Marlene Lúcia Pasetti e Sérgio Sartori em maio de 2009. Abandonada dentro de uma caixa de leite, a cachorrinha tinha cerca de 30 dias de vida. Os dois eram sócios em uma fruteira próxima da rua Bento Gonçalves e decidiram ficar com ela, dividindo a guarda da cachorra. Enquanto Bela era filhote, dormia no quarto de Sérgio. Quando cresceu, começou a dormir no estacionamento onde ele trabalhava, próximo da fruteira.

Bela circula pelo bairro e não levou muito tempo para arrumar um amigo de quatro patas. Batizado de Belo, o vira-latas marrom e preto começou a seguir Bela para todo o lado, e até hoje são companheiros inseparáveis.

Resistência

Marlene conta que sofreu resistência por parte de alguns vizinhos no começo. “Quem mais me incomodou foi uma senhora, queria que eu me livrasse dos cachorros de qualquer maneira”, conta. Outros vizinhos e as crianças da escola ao lado se mobilizaram pela permanência de Bela e Belo. “Fizemos uma petição e 1,2 mil pessoas assinaram em favor da permanência dos cães”, relembra.

Os dois cães são conhecidos por todos na rua. A popularidade é tamanha que a dupla virou propriedade coletiva dos comerciantes. Cada um tem alguma história para contar sobre a dupla. Fernando Boni, com uma loja do outro lado da rua, conta que costuma colocar uma caixinha de papelão na entrada da sua loja. É ali que Belo gosta de curtir suas tardes tomando sol. As crianças, quando saem do colégio gostam de olhar pela vitrine para ver se Belo está lá, diz o empresário.

Cuidados

Quem gerencia os cuidados com a vacinação de Bela e Belo é Marlene. Ela conta que todos ajudam quando há algum gasto adicional. Os dois ganham ração, cobertores e até coleiras. Já a castração de Bela foi paga por Marlene.

Para a coordenadora do CCZV, Celi, alguns cuidados são fundamentais para que o cuidado comunitário tenha sucesso. Para o bem estar físico do animal, é preciso acesso a comida e água, além de um abrigo adequado para o cão se proteger do frio e da chuva. Uma atenção especial precisa ser dada para a vacinação e vermífugo, evitando o adoecimento do animal e a proliferação dessas doenças. Além disso, “a castração é uma ferramenta imprescindível para o controle da população de animais de rua”, afirma.