“Na capoeira, a mulher também tem o seu lugar”

abre aspas

“Na capoeira, a mulher também tem o seu lugar”

O Dia Nacional do Capoeirista é celebrado em 3 de agosto. Moradora do bairro São Bento, em Lajeado, Lívia Camille Rodrigues, 15, começou a jogar aos 9 anos. A jovem acredita que mais do que um esporte, a roda de capoeira é um espaço de união e respeito às origens

Por

“Na capoeira, a mulher também tem o seu lugar”
(foto: Ramiro Brites)
Vale do Taquari
CRON - Campanha Institucional - Lateral vertical - Final vertical

Quando você começou a jogar capoeira?

Eu comecei a praticar capoeira na EMEF São Bento faz seis anos. Uma professora começou com o projeto Ginga São Bento. Quando a pandemia começou eu tive que parar.

E agora, você pretende voltar?

Sim, eu pretendo voltar, mas aí no grupo do mestre Carcará. Antes, era só com alunos da escola. Tínhamos integração com outros praticantes só em alguns eventos, como o batizado e algumas apresentações que nós participávamos.

Além do esporte, a capoeira tem a dança e a música. Como você se enxerga nessa cultura?

Seria uma continuação da história. Continuar a fazer o que os meus ancestrais também fizeram, aprender a cultura, foi muito significativo para mim. Além de eu gostar, foi um momento de reconhecimento pelos golpes que eles faziam no passado. Eu me vejo dentro da capoeira.

O que te motivou a começar no esporte?

Eu fiquei irradiada por ver os golpes. E me deixou entusiasmada poder aprender os movimentos. E também por toda essa história que vem por trás.

Muitas meninas começam a fazer esportes quando são crianças, mas mais velhas acabam desistindo. Como você vê esse espaço feminino na capoeira?

Eles tratam todo mundo igual. A gente sempre tem o nosso espaço. Na capoeira, a mulher também tem o seu lugar. Tanto que tem músicas que a gente cantam ‘mulher na roda não é para brincar’. Quando eu estou dentro da roda, jogando, é muito especial, é muito único, sabe?

As pessoas tem preconceito ou algum receio com a capoeira?

Sim. Mas não deveria ter, muitas vezes é em torno da religiosidade. Só que na verdade, quando nós estamos na roda, é uma forma da gente liberar nossos problemas. Não precisa ter medo porque é muito divertido. As pessoas relacionam com religião, mas não tem nada a ver. Quando a gente está dentro da roda, é um sentimento muito único. A gente consegue se expressar, sem precisar falar.

Para quem não conhece, como funciona a organização da roda de capoeira?

Cada pessoa da roda tem uma função. Tocar, cantar ou jogar. Então, digamos que a roda é uma ligação de todo mundo. É um jogo muito coletivo.

Você sente falta dos treinos?

Muita falta. Quando começou a pandemia, eu fui obrigada a parar. Todos os esportes. Eu também jogava Handebol, e tive que parar. O esporte é bem importante para mim, era um dos meus objetivos maiores. A pandemia estragou bastante coisa, mas é a vida. Eu espero que eu possa voltar logo com segurança porque eu tenho muita saudade. Eu liberava uma energia ali, era muito bom.