Efeitos colaterais

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Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

Efeitos colaterais

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Ao longo da história, a busca da cura ou do tratamento das doenças esbarra nos efeitos colaterais ou secundários causados pelos tratamentos.

Quando tomamos algum remédio, sabemos que sua bula alerta para a possibilidade, maior ou menor, de efeitos não desejados que este remédio pode causar, isentando a indústria farmacêutica de suas responsabilidades. É claro que queremos um remédio que tenha um maior efeito positivo, com a menor dose possível, a menor possibilidade de efeitos colaterais e de pouca intensidade, com o menor preço. Este é o remédio ideal. Remédios ideais são raros. O comum, são remédios bons, alguns ou muitos efeitos colaterais e preço alto.

Na oncologia, os preços costumam ser altos, por várias razões que não cabe discutir aqui. E os efeitos colaterais variam de intensidade, mas são comuns e de manejo diverso. Quem já vivenciou o problema sabe que o uso de quimioterapia afeta a contagem de glóbulos brancos, diminuindo a capacidade imunológica do paciente, podendo inclusive, ser fatal. Os médicos costumam tomar uma série de cuidados no seu manejo.

Outro efeito colateral muito conhecido, são as náuseas e vômitos causados pela quimioterapia. Este efeito foi quase intratável no passado, mas melhorou muito nos últimos anos, com o desenvolvimento de drogas que controlam melhor as náuseas e vômitos de pessoas que fazem uso de quimioterapia.

Um efeito colateral fortemente associado à quimioterapia, para o qual a medicina sempre deu pouca importância (embora de grande impacto para os pacientes), é o que nós chamamos de alopecia, que se resume em perda de cabelo.
Pessoas sem cabelo são, de modo geral, automaticamente associadas ao tratamento de quimioterapia. Este efeito colateral causa impacto importantíssimo na autoestima do paciente, e as perucas e lenços são a prova disso. Ao longo dos anos, a medicina deu pouca importância a este fenômeno, causado pela ação das drogas anti-câncer diretamente na raiz do cabelo, causando a queda.

Como os desafios enfrentados pela medicina na área do câncer sempre foram muito maiores, esta questão foi tratada como secundária ou simplesmente ignorada. Recentemente, tecnologias foram desenvolvidas no sentido de controlar este efeito colateral do tratamento.

O CRON adquiriu recentemente o equipamento que deve reduzir em até 80% a queda do cabelo causado pela quimioterapia. Embora que, em algumas situações, parece não ajudar, em outras parece ajudar muito e traz esperança para o controle da alopecia.

A inovação é importante. E sempre centrada no paciente, para que todos tenhamos uma vida plena.