Contratamos CPFs!

Opinião

Albano Mayer

Albano Mayer

Consultor executivo e articulador do Pro_Move Lajeado

Assuntos e temas do cotidiano

Contratamos CPFs!

Por

Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Em um determinado momento da minha vida profissional, fiz a gestão de 35 colaboradores na área da Tecnologia, todos muito jovens, com ambições e carreiras a serem seguidas. Logo no início, me dei conta de um velho ditado de RH: “contratamos por conhecimento e habilidade, e demitimos por atitudes”.

Vi, aí, um desafio: como inverter essa lógica? Como identificar melhor as atitudes? Passei, então, a defender uma segunda teoria, de que é preferível alguém com baixa competência técnica, mas que tenha vontade de aprender, de crescer, e que tenha uma atitude positiva.

Surgiu, ao colocar em prática essa teoria, a necessidade de algumas adaptações. A primeira delas é que é necessário muito planejamento para preparar as pessoas, em alguns casos até antes da sua contratação, para ocuparem os postos de trabalho que fossem disponibilizados. A segunda adaptação foi saber buscar essas pessoas. Onde encontrar indivíduos com atitudes positivas? Percebi então que pessoas com atitude positiva estão geralmente ligadas a atividades de responsabilidade social, a articulações da comunidade, a grupos de jovens, entre outras tantas ações coletivas. Devemos, então, estar alertas para que possamos encontrar o que procuramos.

Aqui na nossa região temos um grande exemplo, a organização não governamental JCI (Câmara Júnior Internacional), que se propõe a desenvolver os jovens, buscando o aprimoramento pessoal e profissional. O terceiro ponto é que pessoas que têm atitude positiva querem trabalhar com empresas e parceiros que também tenham esse perfil. Querem ter seus nomes associados a marcas de impacto, independentemente do tamanho da organização. Cabem aqui questionamentos que cada contratante deve fazer a si próprio: sua empresa ou organização tem um propósito definido? Coordena atitudes positivas na sua comunidade?

Respeita aspectos de impacto socioambiental? E seus colaboradores têm seus propósitos identificados e alinhados ao da sua organização? A quarta adaptação diz respeito a modelos de trabalho. Será que estamos preparados para os novos contratos de trabalho e as novas maneiras de trabalhar? Atividades como: home office, anywhere work, trabalho remoto, remunerações variáveis, horários flexíveis, terceirização, carreiras em Y ou X, são algumas das novas realidades entre tantas outras novidades que a área de RH tem vivenciado. Isso vem transformando as culturas corporativas.

Nessa ordem de ideias, tenho ouvido muitos empreendedores afirmarem que estão contratando, cada dia mais, talentos individuais. Chamados de CPFs, esses talentos são pessoas que devem fazer a diferença no seu ambiente colaborativo. Além de entregarem resultados, espera-se que possuam o olhar do proprietário e que ajam como tal. Este novo momento, porém, requer uma mudança da cultura, requer abrir exceções e fazer essas adaptações que adequem o modelo organizacional para as novas necessidades, que são as necessidades do indivíduo.

Amigo empresário, vivemos novos tempos, com novas gerações, novos parceiros, novas culturas, novas realidades. Cabe a nós nos reinventarmos.

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