E depois?

opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

E depois?

Por

Vale do Taquari
Tudo na Hora - Lateral vertical - Final vertical

O grande desafio que enfrentamos ainda está em curso, mas lentamente percebemos que há luz no fim do túnel e que, em algum momento do futuro, sairemos disso tudo.

O trauma da tragédia vivida não deve ser esquecido – e para muitos nem terá como. Teremos enterrado mais de meio milhão de brasileiros, maior contagem em toda a história desta nação. Não esquecê-los nos permite não repetir erros que cometemos durante o evento.

Mas na medida em que o tempo levar toda essa tragédia para o passado, o que esperar? Não, as coisas não serão mais como antes. “Nada do que foi será”.

Mudanças ocorridas na compreensão das questões envolvendo saúde vão ficar. Os equipamentos e equipes treinadas vão ficar.

Muitos leitos criados vão desaparecer, mas a forma de recriá-los num momento de emergência vai ficar. O olhar mais sério para com a logística na saúde deve ficar. A percepção que produtos estratégicos vão muito além do petróleo ficou clara na falta de máscaras e luvas descartáveis. O álcool gel estará definitivamente incorporado e será universal.

Saindo da área da saúde, temos setores que precisarão se reinventar. O comércio eletrônico suplantou o comércio de rua. E o quer fazer com estes últimos? E os imóveis que eles ocupavam e que agora estão vagos? Como reorganizar este setor e trazê-lo de volta ao desempenho pleno?

E o setor de serviços? Bastará abrir os estabelecimentos que tudo voltará a ser pleno? É provável que sim. Pela característica de sua atividade.

Mas…
E o ensino?

Há espaço para cursos completamente EAD? Aulas virtuais serão ferramentas do futuro? Parece que sim. Pela comodidade e praticidade que proporcionam. Mas superam aulas presenciais em qualidade? Não sei, não tenho condições de opinar. Mas vejo muita gente buscando nesta forma de ensino uma alternativa para novos tempos.
Acho que veremos muita discussão, ainda, a este respeito.

Mas talvez o aspecto mais interessante é o chamado HOME OFFICE, trabalho remoto que dispensa a ida ao escritório ou empresa.
Este conceito vejo como muito interessante, já que permite uma revisão no fluxo de pessoas nas grandes cidades, com seu trânsito sempre tão caótico, congestionado, que implica em gastos como combustível ou transporte, mas sobretudo, com desperdício de tempo.

Quantas pessoas existem que podem trabalhar a partir do seu domicílio e que, ao fazerem isto, não estarão lotando ônibus ou avenidas, nos horários de pico, mas que, mesmo assim, estariam sendo extremamente produtivas? Então, eu penso que, ao nos afastarmos desta tragédia que vivemos, um novo mundo surgirá, com novos caminhos e novas oportunidades. Mas acho também que quem optar pelo “modelo antigo” estará se encaminhando para o fracasso.
Ao futuro, então!