Firmar os pés é preciso

Opinião

Sérgio Sant'Anna

Sérgio Sant'Anna

Publicitário

Assuntos e temas do cotidiano

Firmar os pés é preciso

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Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Nasci no interior do Mato Grosso do Sul, numa pequena cidade à beira do Pantanal e até hoje lembro a primeira vez que fui ao Rio de Janeiro e pisei no mar. Tinha seis pra sete anos, na época, e naquele momento minhas dimensões de mundo mudaram. De fato, os horizontes ganham outro contorno quando nos deparamos com um contexto além da percepção a que estamos familiarizados. Mudar esse ponto de vista amplia nossas perspectivas e nos permite alterar nossa própria verdade. Segundo Leonardo Boff, “cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam (…)”.
Por vezes cambaleantes, caminhamos na expectativa de que o mundo se reorganize após a pandemia. Sabemos que ele nunca mais será o mesmo e sabemos também que não podemos esperar até que a maré baixe em definitivo para nos lançar ao mar. Só mesmo revendo conceitos, seremos capazes de entender, conforme diz a cultura chinesa, que crise significa ameaça e também oportunidade. Buscar orientações técnicas e dados que nos auxiliem, é fundamental para que possamos posicionar nossos negócios – e a nós mesmos – num sentido mais assertivo e coerente com o que vem por aí.

O IBM Institute for Business Value entrevistou, em fevereiro, mais de 15 mil pessoas em nove países, inclusive no Brasil, e trouxe à tona uma série de insights sobre o futuro do trabalho e a forma como as vacinas contra a Covid-19 mudarão a maneira como os consumidores viajam, socializam e fazem compras. Para o Vale do Taquari são dados muito importantes, diante das oportunidades que o turismo da região vem identificando. Por exemplo, entrevistados de 25 a 39 anos têm 62% mais probabilidade de viajar nos primeiros seis meses após a vacinação do que pessoas com mais de 55 anos, e 40% das pessoas que conviviam com multidões ou grandes grupos, quase constantemente antes da pandemia, irão reduzir a interação.

O estudo aponta a tendência de ficar mais em casa como algo evidente, assim como as experiências digitais como elementos importantes na conversão do consumidor. Todos terão que ser mais criativos e inovadores na abordagem ao público, para fazer com que este se desloque da sua casa até o atrativo em questão. Quem desenvolver mensagens criativas e a oferta de experiências personalizadas terá mais chance de conquistar o novo mercado.

Quando discutimos posicionamento de marketing, sugerimos sempre o uso de uma pirâmide invertida, partindo das tendências globais até a análise dos movimentos setoriais em sua região e da concorrência. Em momentos como este que vivemos, mais do que nunca, é preciso ter um ponto de vista ampliado sobre as possibilidades que o negócio oferece. Apenas trabalhar a partir de si mesmo não faz de ninguém um sucesso, pode estar apenas repetindo mais do mesmo. A essência é importante, mas é a visão que te leva mais longe.

Temos aqui um belo exemplo dentro de casa. Mais uma vez, o Grupo A Hora surpreende a todos e amplia seu poder de atuação no Vale do Taquari, assumindo a gestão do Jornal NG em Estrela e implantando no seio da cidade uma estrutura que objetiva trazer incremento à comunicação do município e da região. A iniciativa deve favorecer a comunidade e o empresariado, otimizando ainda mais a emissão e recepção de informações a todos. Se, conforme disse Nietzsche, “a verdade é o ponto de vista de cada um”, vale a pena acreditar que é possível firmar os pés e fazer algo novo. Benza Deus.

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