Pedágios: custo ou necessidade

Editorial

Pedágios: custo ou necessidade

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Pedágios: custo ou necessidade
Vale do Taquari
Tudo na Hora - Lateral vertical - Final vertical

A incapacidade do poder público em garantir investimentos em infraestrutura faz com que os pedágios se tornem a principal alternativa para melhorias nas estradas. O assunto ainda encontra resistência, em especial por parte dos caminhoneiros autônomos e dos motoristas de curtas distâncias.

Compreensível, pois se trata de uma nova tarifa em um local onde não havia essa cobrança. Diante da expressiva carga tributária sobre o bolso dos contribuintes também se tem um argumento crítico que precisa ser levado em consideração.

Agora, ao olhar o contexto geral, de abandono em diversas rodovias onde não há concessões, da precariedade das pistas, da sinalização, é preciso pensar um pouco mais sobre custo-benefício.

Ficar preso em uma estrada sem atendimento mecânico, sem guincho, é uma das dificuldades comuns quando não há serviços ofertados pelas concessionárias. Nestes casos, o gasto por parte do motorista será elevado. Na comparação, a tarifa do pedágio tendo esses serviços de cobertura se torna pequena.

Ainda assim, há um histórico que depõe contra os pedágios. Os modelos de concessões das rodovias no país agora entram em uma terceira fase. São 26 anos da lei que autorizou o repasse da gestão das estradas à iniciativa privada. Ao longo deste caminho, houve equívocos.

A maior reclamação do modelo de exploração dos pedágios até 2013 era a falta de contrapartidas da concessionária. No primeiro formato instituído no RS, durante o governo Brito, os contratos não estabeleciam investimentos. Foram duas décadas de exploração das praças e sem melhorias de vulto para os usuários.

Agora, há outro entendimento sobre esses planos. Tanto que o modelo de concessão da BR-386, hoje sob responsabilidade da CCR Viasul, serve de parâmetro inclusive para o plano do governo estadual. Algo muito semelhante ao estabelecido na rodovia federal faz parte do edital da ERS-287, entre Tabaí e Santa Maria.

Entre a análise da existência ou não de pedágios, se tem hoje mais informações de como as concessões das rodovias podem interferir sobre a economia e, mais do que isso, na redução da letalidade no trânsito.

Frente a essas discussões, o modelo instituído na BR-386 será o marco dessa nova fase. É o que se tem de mais próximo do que a sociedade espera em termos de políticas de concessões. Ainda debatidas, por muitos criticadas, mas uma realidade da qual não há como fugir.