Qual é o próximo veredicto?

opinião

Caroline Lima Silva

Caroline Lima Silva

Assuntos e temas do cotidiano

Qual é o próximo veredicto?

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Crescemos numa sociedade que estimula uma linguagem que nos afasta das nossas necessidades e dos nossos sentimentos, nos estimulando a comparar, rotular, exigir e julgar, de uma forma naturalizada e validada por todos, sem o senso da consciência. Tornamo-nos juízes de nossos irmãos de caminhada, daqueles que, como nós, estão aprendendo, a cada dia, o real significado da existência. Acabamos por não admitir o contraditório, a pluralidade de opiniões, a diferença que vai, não raras vezes, de encontro com o que pensamos, por, simplesmente, ser um ponto de vista diverso, o que é natural e esperado em qualquer sociedade democrática. Entretanto, vemos as redes sociais constituindo-se como verdadeiros tribunais de inquisição, com discurso de ódio e cultura do cancelamento. O outro, humano como nós, se torna nosso maior inimigo.

Precisamos urgentemente resgatar a conexão com a nossa verdadeira natureza que é o amor, a afetividade, a compaixão e a humanidade que nos fazem iguais, conquanto diferentes em nossas singularidades. Conforme aponta Marshall Rosenberg, psicólogo norte-americano e criador da abordagem da Comunicação Não Violenta, os comportamentos violentos não são inatos, mas aprendidos, de acordo com o tipo de socialização e condicionamentos, experienciados ao longo da vida. Projetamos aos outros aquilo que está dentro de nós, sendo que o que é comunicado diz muito mais em relação a nós mesmos do que ao outro. E esse não é um simples discurso revestido de ideal ou utopia, mas sim uma maneira factível de enxergar a vida, sem sentenças, sem culpados e vítimas, mas para além da visão dicotômica de bem e mal que nos afasta ainda mais uns dos outros.
Assim, nunca como hoje há tanta necessidade de afeto nas nossas relações, principalmente porque enfrentamos uma pandemia que nos exige reflexão e resgate de valores humanos, esquecidos e deturpados. Se observarmos a existência de vulnerabilidades e falhas dentro de nós, poderemos compreender a limitação dos outros também e veremos que todos importam e são importantes. E, nesse sentido, cada um simplesmente busca o seu lugar no mundo, diante da missão que veio desempenhar. Simplesmente precisamos ser escutados e compreendidos, sem a busca desnecessária de quem está certo ou errado. Simplesmente, sem inquisições da Idade Média que nos afastem da nossa genuína essência humana.