O Cristo e a oportunidade  de ouro ao Vale do Taquari

opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

O Cristo e a oportunidade de ouro ao Vale do Taquari

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Atualizado sábado,
17 de Abril de 2021 às 07:28

Vale do Taquari
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A hora é esta. O momento é este. Nunca antes na história, o Vale do Taquari obteve tantos holofotes em torno de uma obra turística como agora. O Cristo Protetor de Encantado é muito mais do que um símbolo em homenagem a Jesus. Ele será – se ainda não é – um divisor de águas para o turismo regional e até mesmo gaúcho.

Encantado não será mais a mesma. O saudoso ex-prefeito Adroaldo Conzatti, um dos poucos – senão o único – a acreditar na construção do Cristo desde o início, disse a este colunista, poucas semanas antes de partir, que Encantado não estava preparada para receber o monumento. Ele tinha razão.
A cidade está em polvorosa. Pelas ruas, cidadãos atônitos. A cada esquina, algum deslumbrado aprecia a imponência da estátua de Cristo, que do alto do morro das Antenas emana a proteção que a denomina. Na prefeitura, o telefone não para de tocar. Pedidos de entrevistas de todo lado. Agências de viagens querendo agendar visitação em massa e empreendedores ávidos para explorar o entorno.

Nesta segunda-feira, por exemplo, estará no morro do Cristo, uma empresa de Santa Catarina, disposta a bancar investimento num passeio de teleférico. Esta semana, a partir de mobilização de donos dos terrenos das imediações, confirmou-se a construção de uma Via Sacra do pé ao topo do morro.

Este é o momento para o turismo regional deslanchar de vez. Jonas Calvi, o jovem prefeito, que há 30 dias era mero coadjuvante, faz um chamamento aos prefeitos da Amvat para que se aproveitem da ocasião. “Isso não é apenas para Encantado se favorecer”. E é verdade.

Se o Trem dos Vales e o V13 – maior viaduto da América Latina – já eram a cereja do nosso bolo turístico, o Cristo é a embalagem de ouro que embrulha nossos pacotes e os fará brilhar país e mundo afora.

E daqui para frente?

30 a 50 minutos. Este é o tempo médio que os turistas ficam no Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Depois disso, vão a outros pontos de visitação. E como será aqui? Para onde irão os turistas depois de visitarem o Cristo Protetor? Eis o desafio regional. A estátua de Encantado impacta todas as rotas já existentes e as projetadas para o Vale do Taquari. E é por isso que este tema merece discussão regional. Amvat, Amturvales, Codevat, enfim, todos devem olhar para o tamanho da transformação que o Cristo de Encantado está provocando.

Os astutos empresários e gestores da Serra Gaúcha já estão em processo de aproximação e querem fazer do Cristo uma extensão dos passeios a Bento Gonçalves, Gramado, Canela. O nosso desafio, é atrair os turistas direto para cá. Que venham para o Cristo e, de lá, vão para as outras cidades da nossa região. E para isso, temos que ter oferta. De segunda a segunda, com infraestrutura e atendimento a altura. E vamos combinar, belezas, paisagens e atrações não nos faltam.

Ao passo que a notícia sobre construção do Cristo Protetor percorre o mundo, a frase do eterno prefeito Conzatti se impõe: “Encantado não está preparada para receber o Cristo”. E disso, mais: O Vale também não. Mãos à obra que o “problema é bom”.