Como inovar na gestão pública?

opinião

Paulo Cezar Kohlrausch

Paulo Cezar Kohlrausch

Prefeito de Santa Clara do Sul e presidente da Amvat

Como inovar na gestão pública?

Por

Vale do Taquari
Imec - Lateral vertical - Final vertical

Na semana passada, a convite da jornalista e empreendedora Danielle Harth, participei de uma gravação para o 4º Dia Mundial da Criatividade, que ocorre nos dias 21 e 22 de abril. O tema definido para a minha participação no evento foi inovação na gestão pública, área na qual tenho buscado me aperfeiçoar constantemente nos últimos anos.

Um questionamento feito pela entrevistadora, no entanto, me levou a refletir sobre os modismos do momento e até que ponto estamos de fato evoluindo na gestão dos nossos municípios. Quando perguntado se é possível inovar no setor público, recordei das dificuldades inerentes à tentativa de implementar novos processos e do quanto a burocracia e a estrutura resistem a novas ideias e projetos que tenham como propósito desenvolver as comunidades de forma mais ágil e equilibrada.

Entre outras coisas, inovar significa fazer a gestão do presente e do futuro através da mudança com o intuito de atingir melhores resultados. Mudar, porém, sempre foi um grande desafio para o ser humano, principalmente no caso da administração pública, que envolve uma série de interesses difusos, segmentados e que rapidamente se transformam em resistências.

A inovação surge de uma necessidade, seja de resolver um problema ou de melhorar um processo, um serviço ou um produto. Dessa forma, ao mesmo tempo em que a burocracia é um empecilho para uma gestão pública mais efetiva, ela acaba sendo o maior motivador da inovação, pois é necessário muita criatividade e imaginação para se promover o desenvolvimento de cidades em nosso país, onde a falta de profissionalismo e de interesse coletivo são poderosas amarras que travam novas iniciativas e o progresso.
De fato, a inovação é uma das ferramentas necessárias para transformar cidades comuns em cidades inteligentes, desde que você entenda uma cidade inteligente como aquela que proporciona serviços de qualidade para os cidadãos, ao mesmo tempo que os estimula a se sentirem parte da construção, donos e responsáveis pelo lugar em que escolheram viver.

É notória a importância da inovação no setor público, seja na implementação de melhorias em processos e serviços ou na utilização de tecnologias, principalmente no sentido de proporcionar uma maior conexão dos habitantes com as cidades onde vivem. Uso racional do solo, da água e da energia, mobilidade e acessibilidade são algumas das premissas básicas para promover um ambiente mais sadio e sustentável, tendo o cidadão como elemento principal.
Bons exemplos existem e muitos estão sendo praticados em municípios da nossa região, principalmente naqueles que promovem inovação e ainda preservam a essência da vida em comunidade. Afinal de contas, cidades inteligentes são aquelas que conseguem servir de suporte para a evolução e felicidade das pessoas, onde as novas tecnologias são apenas ferramentas para servir a sociedade, impulsionando o desenvolvimento econômico e melhorando a qualidade de vida de forma sustentável.