É crime manter as escolas fechadas

opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

É crime manter as escolas fechadas

Por

Lajeado
Imec - Lateral vertical - Final vertical

Eu também defendo a vacinação em massa para os professores. Aliás, deveriam ter estado entre o grupo prioritário. Ainda assim, é um erro primário condicionar a volta das atividades presenciais das escolas somente quando docentes forem vacinados. Que separemos o grupo de risco e aqueles com comorbidade, e voltemos com os demais.

É criminoso o que estamos fazendo com as nossas crianças, adolescentes e jovens. Sim, é um crime. E mais criminoso ainda é impactar e prejudicar um futuro inteiro de várias gerações. Estamos falando de um ano inteiro de aulas remotas, que comprovadamente estão longe de terem o efeito e a qualidade do ensino presencial.

Eu aceito as opiniões em contrário, mas não entendo. Males como obesidade, depressão, ansiedade, medo acometem crianças, adolescentes a jovens. Eu pergunto: o que vamos colher se plantamos obesidade, depressão, ansiedade, medo? Com todo respeito, mas estamos sendo criminosos com nossas crianças.

A juíza que concedeu a liminar a favor do Cpers e da Associação Pais e Mães pela Democracia deveria responder por ato criminoso. Decidiu arbitrária e monocraticamente por toda a sociedade gaúcha. E pior, com a chancela do STF, que debate o funcionamento de igrejas antes mesmo das escolas. E aqui, não entramos no mérito da relevância das igrejas, que aliás, exercem papel fundamental na vida de milhões de brasileiros. Agora, um país que pretere a escola pela igreja não é sério.

A educação neste país – e não de agora – só é prioridade em ano eleitoral, quando todos os candidatos a elegem como prioridade central, mas quando chegam ao poder, relegam sua importância. A pandemia é a materialização mais banal deste descaso que acompanha a nação tupiniquim.

Repito: manter as escolas fechadas, os alunos amontoados em casas de cuidadores, aprisionadas em casa e cerceadas de seu convívio social é um crime. As próximas gerações nos cobrarão um alto preço. E o pior, quanto mais pobres, maior o sofrimento.

Já deveríamos ter aprendido. A pandemia começou em março de 2020. Neste período, fomos e somos a nação que mais tempo mantém suas escolas fechadas. É triste. Dá vontade de chorar. Sério. É um sentimento de tristeza, revolta e impotência. Tudo misturado. Sou pai do Vicente, que tem sete anos e está na segunda série. Sou privilegiado. O Vicente tem aula remota regular, tem internet boa e computador adequado. Mesmo assim, está sofrendo. Daí pergunto: e quem não tem nada disso? Ou melhor, quem não tem nada disso e nem mesmo comida suficiente para se alimentar?

Eu sei que é difícil para os professores. Para as escolas. Para todos. Mas essa dificuldade jamais poderia nos conduzir ao fechamento total e irrestrito das escolas. A irresponsabilidade há de nos cobrar um preço alto logo ali na frente. Ou talvez não. Para um país que nunca priorizou a educação, isso nem deve fazer diferença, não é mesmo?


A patética histeria em torno da Havan

Já vi muita empresa chegar a Lajeado e ao Vale do Taquari. Mas nenhuma, de nenhum segmento, ganhou tanta mídia gratuita, tanto alvoroço e correria de prefeito e companhia como a Havan. Pelo que sei é mais uma loja que se instalará às margens da BR-386, gerará um bom número de empregos e pagará impostos. Ou seja, nada de diferente do que tantas outras dezenas que já vieram ao longo dos anos.

Alguém, por favor, me explica da onde vem essa histeria toda que transforma a vinda da Havan neste “fenômeno”. Fico pensando nos demais comerciantes da cidade que já contribuem há muito tempo para o desenvolvimento e jamais receberam a mesma exposição e prestígio das autoridades públicas. Vamos combinar, já passou do ponto faz tempo.

Pelo visto tem alguns mais preocupados em cliques e curtidas no Facebook do que em cumprir seus papeis aos quais foram escalados. Chega a ser patético.


O MELHOR DA SEMANA

Entre todas as notícias da semana, o anúncio da concessionária CCR Via Sul, de que reduz de seis para dois meses o tempo de interrupção da BR-386, foi o melhor de todos. O martírio que se transformou atravessar poucos metros entre Lajeado e Estrela chegará ao fim antes mesmo do próximo fim de semana comemorativo – Dia das Mães. A previsão é que o trânsito volte ao normal no dia 10 de maio.


O segundo Natal do comércio

Por falar em Dia das Mães, é bom as autoridades que têm a caneta na mão já projetarem medidas para não prejudicar o comércio nesta que é considerada a segunda melhor data comercial no ano. Só perde para o Natal. Portanto, resta um mês. Que até lá se encontre um modelo mais definitivo para o funcionamento do comércio e não se cogite, em hipótese nenhuma, o fechamento das lojas neste período do Dia das Mães. Já basta que no ano passado, a data foi perdida pelo comércio varejista.


Mobilização precisa continuar

A antecipação da liberação da ponte sobre o Arroio Boa Vista para dois meses não pode esmorecer a mobilização do Vale por mais travessias sobre o rio Taquari. Pelo contrário, é preciso aumentar a discussão e aproveitar a concessão das principais rodovias estaduais da região à iniciativa privada, para pleitear novas pontes sobre o Taquari. A hora continua sendo essa, mesmo se o martírio na BR reduzir de seis para dois meses. Não podemos esmorecer.