O vírus da fome

Editorial

O vírus da fome

O vírus da fome
Vale do Taquari
CRON Previne - Lateral vertical - Final vertical

O que parecia uma mazela deixada para trás na história recente do Brasil retorna com força e ameaça a sociedade. Dados divulgados nos últimos dias revelam que a fome e a insegurança alimentar são problemas persistentes e que se alastram de modo preocupante pelo país.

Conforme a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), pela primeira vez em 17 anos, mais da metade da população não tem certeza se haverá comida suficiente em casa no dia seguinte, precisou diminuir a qualidade e a quantidade do consumo de alimentos ou passou fome.

De cerca de 213 milhões de habitantes, 116,8 milhões se encontram em situação de insegurança alimentar. Segundo os pesquisadores, trata-se de um problema que vem em crescimento nos últimos anos e que disparou em meio ao contexto de crise decorrente da pandemia de coronavírus. Em 2020, a fome atingiu 19 milhões de brasileiros (9% da população), maior taxa desde 2004.

Os índices são alarmantes e tendem a piorar no próximo período, à medida que o país demonstra dificuldades em controlar a pandemia e implementar um plano efetivo de recuperação econômica. Enquanto o Brasil se consolida como novo epicentro do coronavírus, com mais de 4 mil mortes por dia e acúmulo de 337 mil óbitos, o velho fantasma da fome volta a assombrar a nação.

O país precisa com urgência acelerar o ritmo da vacinação. Além de preservar vidas e evitar uma catástrofe humanitária com o colapso total da rede hospitalar, imunizar a população é condição básica para a retomada da normalidade possível das atividades produtivas. Ou seja, a vacinação não é só uma questão de saúde, mas também de economia.

Mais do que isso, após controlar a covid-19 no território brasileiro, será necessária uma ampla estratégia de resgate social e proteção contra a miséria e a fome. O período é crítico e repleto de adversidades. E o desafio está posto desde já, para a sociedade e autoridades, que precisam de extrema responsabilidade, eficiência e agilidade na execução das políticas públicas.