“Como segurança, sempre fui a sombra do presidente”

Abre aspas

“Como segurança, sempre fui a sombra do presidente”

Antônio Rodrigues de Oliveira, 66, é capitão da reserva do Exército brasileiro. Entre 2001 e 2004, ele garantiu a segurança dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva

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“Como segurança, sempre fui a sombra do presidente”
(Foto: Arquivo Pessoal)
Vale do Taquari
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Quando você começou na carreira militar?
Em 1973, eu fui chamado para cumprir o serviço militar obrigatório. Eu me desloquei para Rosário do Sul, no 4º Regimento de Carros de Combate. Fiz curso de cabo, no mesmo ano, e servi como cabo até 1980, quando fui para ESA (Escola de Sargentos das Armas), em Três Corações, Minas Gerais. No retorno, servi em Alegrete, de 1981 a 1984, como sargento. E depois, voltei para Rosário novamente em 1985 e servi até 1997. Eu dei uma prioridade para lá porque minha esposa é de Rosário do Sul e quis ficar perto dos parentes dele. Em 1998, fui convidado a servir no Colégio Militar de Fortaleza. Fiquei até 2000, foram três anos. No período, eu fui convidado para servir na 10a Região Militar de Fortaleza e lá para compor a equipe de segurança presidencial.

Como foi essa experiência?
Naquele período, o exército estava em contenção de despesa, e começaram a fazer a segurança setorial. Nós ficamos com o setor do Norte e Nordeste. Neste período, eles passavam muito nessa área. E nós sempre fazíamos a segurança. Os seguranças do presidente ficavam em Brasília, e toda vez que o presidente viajasse ia um avião cheio de agentes. Em 2001 e 2002, eu fiz a segurança do Fernando Henrique Cardoso e depois, de 2002 a 2004, eu fiz a segurança Luiz Inácio Lula da Silva.

Quais são os requisitos para ser segurança do presidente?
Para o cara ser um segurança presidencial, tem que gozar do mais alto conceito militar. Eu fui um dos escolhidos porque nos cursos que eu fiz, eu sempre fiquei como cabeça de chave. Sempre entre os três primeiros colocados. Eu não procurei ser bom, eu sempre procurei ser o melhor. Eu sempre tive um espírito elevado de patriotismo.

Começa pela tua ficha, eles verificam as qualidades do cara, se ele se encaixa nos requisitos. Eu fiquei 36 anos no serviço ativo e nunca fui punido. Sempre fui atleta, pratiquei artes marciais, defesa pessoal. Eu fiz o curso de perito militar, e para isso tem que ter muita seriedade. A função do perito é buscar a verdade. O juiz quando vai julgar busca no perito a busca da verdade.

Como veio parar em Lajeado?
Em 2005, eu quis voltar para o Sul. Eles contestaram muito, mas quis voltar porque eu e minha mulher queríamos ter um momento com nossos pais enquanto estavam vivos. Foi quando eu pedi transferência para Lajeado, para ser delegado da Junta Militar até 2010, quando eu saí capitão na ativa. Aí eu tive que sair porque minha patente não podia exercer o cargo. Fiquei seis meses em Porto Alegre e depois voltei.

O que te motivou a voltar?
Uma cidade pequena, com tudo que tem em uma cidade grande. O povo é muito hospitaleiro, acolhedor e trabalhador. O povo aqui, a cultura deles, trás muito orgulho para nós brasileiros. É uma cidade limpa, maravilhosa. É uma cidade linda.