Movimento militar de 1964

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Ardêmio Heineck

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Movimento militar de 1964

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Lembrado quarta feira, 31 de março, é um acontecimento importante na política, na economia e na estrutura de funcionamento do país. Para não ser esquecido, tal qual acontece com outras datas (dia do descobrimento, da Independência, da Proclamação da República e da Bandeira), me senti estimulado a fazer alguns registros. Pretensamente históricos e de resgate do que aconteceu à época, me valho, para os mesmos, ter sido um dos privilegiados a vivenciar o contexto do evento. Pré-adolescente em 1964, estudando em Porto Alegre, já tinha consciência dos acontecimentos, ainda mais, informado por nosso Professor de História. Na casa do estudante, também lá (l969), onde a política estudantil fervilhava, no Curso de Economia (1970), onde o Movimento foi estudado e, já então, no mercado de trabalho e na vida cidadã, formei um caldo de conhecimentos e de opinião a respeito.

Como reflexo da segunda guerra mundial (1944), o contexto da intervenção militar de 64 coloca o Brasil num redesenho das forças dominadoras mundiais, polarizadas entre capitalismo (liderança norte-americana – livre iniciativa e de expressão) e o comunismo (liderança russa, stalinista – centralismo do Estado e cerceamento da liberdade de expressão). Surgem o Muro de Berlim (divide a Alemanha em duas), a União Soviética (de nações antes independentes), a China Comunista (revolução Maoísta) e, bem próxima a nós, Cuba, sob o domínio soviético.

Neste meio está o Brasil, cortejado por aquelas duas correntes. Ensaiávamos a industrialização e a interiorização do país a partir da construção de Brasília, por Juscelino Kubitschek. Este é sucedido pelo Presidente Jânio Quadros, com seu Vice João Goulart – Jango. Jânio, renuncia, chamando de volta ao Brasil seu Vice Jango que estava em viagem na China comunista.
Como Presidente, Jango leva o país à esquerda, bafejado pelos de regime comunista e vê instalarem-se, paulatinamente, a instabilidade política, a estagnação econômica e um período inflacionário.

Surge, então, um movimento de reação, não nos quartéis, mas pelas mulheres mineiras, que se espalha nos demais Estados, levando o povo às ruas. Mercê deste clamor acontece a intervenção militar em 31 de março de 1964, sustando a tentativa de instalação de uma das correntes dominadoras mundiais aqui, apoiada por Rússia, China e Cuba. Registra-se então, sim, um período de contendas com células de resistência, ao tempo em que o resto da nação queria condições para trabalhar.

O regime militar detém a presidência da República num modelo de gestão exercido por civis e pautado em Planos quinquenais. Mercê desta gestão planejada, o país pauta um desenvolvimento expressivo (o chamado “milagre brasileiro” do Ministro da Economia, Professor Delfim Neto), com PIBs anuais acima dos 7%. Também são implementadas as bases do Brasil moderno, competitivo: desenvolvem comunicações (Embratel), energia (Telebrás, Itaipu e Angra I, II e III), transportes rodoviário (em nosso meio, BR-386 e ERS-130), ferroviário (ferrovia Passo Fundo/Colinas/Porto Alegre) e hidroviário (aqui, Porto de Rio Grande e entroncamento intermodal de Estrela).

Talvez gerei reações diversas nesta tentativa de esclarecer um pouco o brake à dominação externa em 64, num período de exceção de não mais que 20 anos, mas que salvaguardou a liberdade e a democracia hoje reinantes. Pois convido todos a resistir à polarização que só interessa a poucos grupos bem identificados.

Sejamos brasileiros, construindo uma nação altaneira, com regime político próprio que alie a livre iniciativa plena da direita, às ideias de inclusão social da esquerda. Tudo se iniciando na educação, verdadeira alavanca de qualquer transformação.