A logística

opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

A logística

Por

Vale do Taquari
Imec - Lateral vertical - Final vertical

No dia 6 de junho de 1944, durante a segunda guerra mundial (1939 – 1945), os aliados desembarcaram 150 mil homens nas praias da Normandia, norte da França.

Havia uma série de objetivos estabelecidos, que estes soldados deveriam conquistar nos dias subsequentes, cidades, portos, represas, entroncamentos ferroviários.

Um exército de 150 mil homens em luta precisa de munição para combater o inimigo. Precisa de gasolina, para mover seus tanques de guerra e seus caminhões. Precisa de água potável para abastecer seus soldados.
Quantas toneladas de comida consomem 150 mil homens jovens em luta? Quantos caminhões são necessários para levar esta comida e quanta gasolina vai ser gasta neste trabalho? Quantas meias limpas e secas precisam ser distribuídas regularmente? Quanto papel higiênico será necessário levar para todos esses soldados e de que forma isto será distribuído?

Estas são questões pertinentes numa guerra. Mobilizar o necessário para realizar determinada tarefa e planejar de que forma este recurso estará disponível e de que forma ele será usado. Seja ele munição, comida ou papel higiênico.

Com o andamento da COVID 19, subitamente o Brasil descobriu que existe um sistema de saúde no país, e mais, que o sistema apresenta problemas. O governo, então, liberou montanhas de dinheiro para sanar questões emergenciais, como falta de leitos, falta de UTI, e de equipamentos que são importantes para COVID e que poderão ser usados, após, para outras patologias.

Triste, porém, é ver que estes recursos estão sendo usados de forma irresponsável e até criminosa, por serem distribuídos para investimentos questionáveis e seu planejamento. Assim, gastamos uma fortuna com a instalação de hospitais de campanha, alguns que já foram até desmentidos, e que nem foram usados.

A falta de planejamento tem sido regra. Despreparo, talvez, incompetência, quem sabe. Má fé, dizem outros.
Com a possibilidade de vacinar, não tem sido diferente. Além do aspecto francamente político-ideológico que está se impondo na discussão, a falta de planejamento e visão ficaram obvias, quando se vê que o governo não tem ideia de qual vacina comprará, não imagina como isso deverá ser distribuído nem quando será aplicada. A falta de preparo, ou incompetência ficou clara na questão das seringas. O Brasil queria 150 milhões. Já conseguiram comprar 6.

Assim, entramos numa guerra que já afetou mais de 7 milhões de brasileiros e tirou a vida de mais de 260 mil, completamente despreparados e sem plano, sem comando.