Sim. Estamos em guerra

opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

Sim. Estamos em guerra

Por

Vale do Taquari
CRON Previne - Lateral vertical - Final vertical

Há um ano, parcela da mídia nos apavora quanto à covid 19. Entramos numa reincidência avassaladora e assustadora e, mesmo assim, continuam a martelar na mesma direção: nos apavorar. Causam sentimento coletivo de desesperança, ao invés de orientar-nos devidamente e desnudar falhas que, passado um ano, não nos deram condições para fazermos frente à doença. Mesmo com o declínio da curva ano passado, sabia-se que a pandemia não estava resolvida. De acordo com muitos articulistas, o Brasil é o pior dos mundos e a única solução é fechar empresas e colégios, mesmo que isto quebre a economia, cause sofrimento social e crie um prejuízo irrecuperável na formação de crianças e adolescentes em idade escolar.

Paralelamente, há um desequilíbrio no funcionamento dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. O Congresso, ano passado, mais complicou do que ajudou e o STF arvora para si decisões controversas, inclusive tirando do Executivo Nacional qualquer ingerência e autoridade junto aos Estados, impedindo-o de desincumbir-se das suas responsabilidades.

Fui ver os números e constatei que o Brasil é o quarto colocado na relação “infectados/população total” (5%), com elevado percentual de recuperação. Estão em situação pior potências como os USA, Espanha e Reino Unido (estes dois, inclusive, com lockdown). Empatam conosco Itália e Argentina, ambos também com lockdown. O dado impressionante fica por conta da China: apenas 89.900 infectados para uma população de 1,5 bilhão de habitantes (0,00006% de infectados!). Me lembro, então, de amigo meu que afirma estarmos em plena terceira guerra mundial, originária daquele país. E, de outro, que afirma os chineses, mais uma vez, terem inovado na arte da guerra: inventarem a pólvora, há milênios e agora, a bacteriológica. Há como condená-los? Faz parte da natureza humana a dominação colonialista, ideológica e econômica. Ontem foram outros. Hoje, a China, que precisa alimentar seu incontável povo. A humanidade se move assim. As duas guerras mundiais vitimaram 80 milhões de pessoas.

Resta aos países saberem jogar num cenário destes. Neste quesito o Brasil tem das maiores vantagens competitivas para negociar com a China: alimentos e oportunidades de parcerias. Desde que não seja carcomido internamente por interesses de grupos.

Voltemos ao caso presente: nosso Estado com falta de estrutura de atendimento aos infectados, para desespero da população. Os números nos desnudam uma realidade preocupante: em 02/3/21 tínhamos apenas um leito de UTI para cada 4.054 habitantes e para cada 230 casos de Covid 19.
Definitivamente a solução não está em parar a economia fechando empresas, atrasar o conhecimento de toda uma geração fechando escolas e em deixar a população em pânico.

A saída é a adoção de estratégias e ações próprias de uma guerra, salvando a população e o país. Esquecer a disputa política de 2022 (quem sabe com a prorrogação dos mandatos, acabando com a reeleição) – conscientizar e fiscalizar a população quanto aos cuidados básicos que devem ser seguidos – criar hospitais de campanha regionais, desafogando o sistema hospitalar convencional – adotar de vez e socializar via SUS o tratamento preventivo, validado por centenas de médicos e por milhares de infectados curados – centralizar a gestão nacional no Poder Executivo (num momento destes não pode haver dispersão de comando) – vacinar aceleradamente, cientes da limitação da sua produção mundial.

Ao invés de buscar culpados e quebrar o país, construiríamos soluções para salvar vidas. Devaneio da minha parte? Ou a busca de soluções estruturais definitivas, com grandeza, para um problema que vai assolar nossa gente por um bom tempo?