Depois de tombar

opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

Depois de tombar

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Atualizado segunda-feira,
01 de Fevereiro de 2021 às 09:14

Imec - Lateral vertical - Final vertical

Nunca acompanhei o BBB. Não por achar que o programa não tenha o seu valor, mas porque não se encaixa na minha rotina. Porém, qualquer pessoa presente nas redes sociais sabe que é impossível fugir deste assunto.

Assim como muita gente, fiquei contente em ver figuras como Karol Conká na edição 2021. Até criei expectativa sobre debates relevantes que ela poderia trazer para a casa e, por consequência, tornar acessível para quem não frequenta os mesmos espaços que ela.

Claro que me decepcionei.

Que a passagem da rapper pelo reality foi lamentável, não há o que discutir. Porém, Karol tombou. Conseguiu unir gregos e troianos para eliminá-la com a maior rejeição da história do programa. (União que poderia se repetir em 2022, não acha?).

Mas o que resta para Karol depois do tombo?

Durante a estadia na casa, perdeu milhares de seguidores nas redes sociais, o que, para um artista, significa muita coisa. Segundo a Revista Forbes, a cantora também perdeu milhões em contratos. Teve shows e programa de TV cancelados. Se isso já não bastasse, o sinal de alerta acendeu quando foi divulgado que Karol e sua família têm recebido ameaças.

Por mais que o ambiente do BBB seja criado para estimular conflitos de forma proposital e que, um confinamento, dentro do confinamento que todos estamos vivendo, pode levar qualquer um ao sofrimento psicológico, o comportamento de Karol não se justifica pelo jogo. São coisas muito mais complexas e profundas do que “o jogo”.

No entanto, é óbvio que nada do que ela tenha feito justifica uma ameaça. Karol já foi punida no jogo, ao ser eliminada. Fora do jogo, será punida por suas ações com o prejuízo financeiro e a necessidade de reerguer a carreira. E é isso.

Karol não precisa de ataques, precisa de ajuda. Precisa compreender seus muitos erros. Precisa encarar suas feridas. Precisa pedir desculpas. Porém, nada justifica que ela seja tratada aqui fora da mesma forma que tratou os companheiros, com violência.

Vivemos tempos difíceis e, na ânsia por justiça, muitas vezes acabamos por reproduzir o comportamento do agressor. De que vale ter justiça se, para alcançá-la, você precisa se tornar o opressor do seu opressor ou de qualquer outro ser?

Cancelar alguém é fácil. Criticar também, em especial, diante de um comportamento tão ruim quanto o de Karol. Mas é preciso sempre lembrar da frágil barreira que nos impede de nos tornarmos aquilo que mais criticamos. E nunca ultrapassá-la.