Escolas abertas ou fechadas?

Editorial

Escolas abertas ou fechadas?

Escolas abertas ou fechadas?
Vale do Taquari
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A pergunta divide opiniões e não há apenas uma resposta. Em meio ao pior momento da pandemia no RS, autoridades públicas, especialistas em educação, em saúde e, sobretudo, as famílias, têm muito mais dúvidas do que certezas.

O temido colapso no sistema de saúde chegou. Os relatos dos hospitais são assustadores. Essa realidade não fica restrita apenas aos pacientes, familiares, equipes médicas, de enfermagem. O que era o medo do desconhecido, lá no início da pandemia, em que havia pouco conhecimento sobre o vírus, hoje é o medo do conhecimento.

Todos sabem a situação enfrentada pelo Estado. Todos sabem que é importante cumprir os protocolos, evitar aglomerações, estar sempre com as mãos limpas e a máscara bem colocada no rosto. As informações estão postas e atinge a sociedade como um tapa na cara. Pois onde aconteceram as falhas?

Foi devido ao comportamento coletivo, ao desleixo que surgiu após o aprendizado de como se portar na pandemia, que trouxe esse agravamento da crise. Agora, esse medo perpassa para diversos setores. Entra na vida profissional, nos espaços familiares e, claro, sobre a educação das crianças e adolescentes.

Na semana em que o Estado ingressou em mais de 60% na bandeira preta, o governador Eduardo Leite alterou os protocolos para o Ensino. Sensível ao pedido de prefeitos, de alguns representantes da classe dos professores e também das próprias famílias, autorizou atividades presenciais na Educação Infantil e nos primeiros anos do Fundamental.

A experiência de um ano diante da pandemia mostrou que as crianças parecem ser mais resistentes ao vírus. Há poucos casos confirmados de contaminações pela região. Aqueles tabulados também resultaram em uma recuperação menos problemática.

É preciso olhar o todo. Há os professores, funcionários de escola e demais membros da comunidade escolar. Tanto que, após a flexibilização da bandeira preta, o agravamento dos contágios faz com que essa reabertura seja revista. Há uma grande probabilidade de cancelamento das aulas presenciais.

Por mais que os motivos desse avanço esteja nos desrespeitos às normas, em especial as festas clandestinas, aglomerações e condutas de desleixo, não há risco calculado frente ao cenário posto.

Os próximos dias serão cruciais para toda a comunidade gaúcha. O momento de gravidade exige respostas ágeis. Talvez os pais de crianças nas creches terão, sem dúvida, dificuldades pela escolinha ter de fechar. Por outro lado, é preciso pensar que um adoecimento agora pode trazer a tristeza de não haver atendimento na porta dos hospitais.