Fotos: Paredes de antiga fábrica contam a história de Estrela

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Fotos: Paredes de antiga fábrica contam a história de Estrela

Com a missão de retratar como o município foi constituído por meio da arte, Sérgio Werle quer finalizar um dos murais neste domingo. O próximo painel retratará a cidade no passado

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Fotos: Paredes de antiga fábrica contam a história de Estrela
Artista de 66 anos, Sérgio Werle trabalha no painel desde junho do ano passado. Imagem já chama a atenção da comunidade (Foto: Ramiro Brites)
Vale do Taquari
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A cidade contemporânea, os principais prédios, etnias e costumes marcantes da comunidade estrelense. Esses elementos compõem um dos painéis pintados na antiga sede da cervejaria Polar, defronte para a escadaria.

Mais um mural está previsto na mesma rua Arnaldo José Diel, do outro lado da esquina com a Coronel Flôres. Esse retratará a Estrela do passado, e o que constituiu o município, como personagens históricos e as primeiras embarcações.

Sérgio Werle, 66, pretende terminar a primeira parte da obra neste domingo para poder dar atenção à pintura nostálgica. Ele conta que, desde o início do trabalho, muitos empecilhos foram vencidos.

A ideia de dar uma nova cara ao prédio em que seu pai trabalhou como operário é antiga. Em abril de 2020, ele foi chamado pela secretária de Cultura, Carine Schwingel, para contar a história de Estrela em grandes pinturas. A administração municipal deu aval ao projeto mostrado por Werle em um esboço de papel e contratou o pintor.

Conforme o artista, depois disso, o primeiro desafio foi achar um andaime que permitisse as pinceladas nas alturas. O equipamento foi fornecido pela prefeitura e um funcionário ajudou a montá-lo. “Para trabalhar em andaime, tem que ser equilibrista, malabarista, contorcionista, e tem que se cuidar”, adverte.

Agora, Sérgio espera que o servidor atenda outras demandas para ajudá-lo a deslocar o andaime para o outro lado da pintura. Enquanto isso, o artista trabalha nos detalhes das representações de prédios como Colégio Evangélico Martin Luther, a rodoviária e o pórtico.

Com a estrutura montada, a dificuldade foi encontrar a tinta certa. Os tipos de tintura mais duráveis que resistam ao ambiente externo não tinham a espessura desejada ou a oferta de tons era muito pequena. A solução foi uma tinta acrílica, normalmente, utilizada em pisos. Para aumentar a disponibilidade de cores, Werle mistura as tintas. “Falei para me trazerem as cores primárias e depois eu resolvo as tonalidades”.

Outro advento enfrentado para executar a pintura é o clima. Por ser uma obra de rua, os dias de muito frio durante o inverno e os períodos de chuva impossibilitam o andamento do trabalho.

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A escadaria, local onde se encontra a instalação, também é o ponto central da representação de Estrela que deve ser finalizada nesta semana.

Quem vê o mural dos degraus vislumbra a continuidade do local no horizonte. A profundidade expressada na pintura leva o visitante a pontos marcantes do município.

O painel retrata gaúchos, em trajes típicos e uma churrascada, personagens com vestes da cultura germânica, outros caracterizados como imigrantes italianos, ainda negros em roda de capoeira e, no alto, uma tribo indígena. A dança e arquitetura típicas dos povos representados também são incluídas no painel.

Há ainda destaques para prédios históricos, igrejas e a rua coronel Müssnich, representada pelo comércio. “Botei também as decorações da festa do Chucrute. Painéis enormes que haviam sido feitos por mim”, conta Sérgio.

Para a secretária da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Carine Schwingel a pintura visa transformar o espaço, de fato, em um ponto turístico. “Tem a beleza natural do rio, tem a história do prédio do polar, temos que criar um lugar agradável para as pessoas sentarem mas também um espaço de contemplação. Quem for ver o rio, também terá acesso a nossa história por meio da arte”.

Os painéis pintados por Sérgio Werle foram custeados pelo governo municipal. Na rua Coronel Flôres, outras pinturas são realizadas com verbas federais.