Governadores da região Sul debatem semelhanças entre o comportamento da pandemia

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Governadores da região Sul debatem semelhanças entre o comportamento da pandemia

Estados vão encaminhar ofício conjunto ao Ministério da Saúde pedindo atenção especial à região

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Governadores da região Sul debatem semelhanças entre o comportamento da pandemia
Reunião foi realizada por videoconferência na manhã desta terça, dia 23 (Foto: Divulgação/Itamar Aguiar/Palácio Piratini)
Estado

O governador Eduardo Leite se reuniu, por meio de videoconferência, na manhã desta terça-feira, 23, com os governadores de Carlos Moisés, de Santa Catarina, e Ratinho Júnior, do Paraná. O objetivo do encontro virtual, anunciado por Leite ainda na sexta-feira, 19, foi trocar impressões e experiências sobre o combate ao coronavírus nos Estados da região Sul.

“Nossos Estados têm perfil socioeconômico semelhante e têm demonstrado comportamento também semelhante na evolução da pandemia, em termos de ocupação de leitos e de mortalidade. É importante continuarmos trocando informações neste momento”, destacou.

Nos últimos 15 dias, o Rio Grande do Sul tem vivenciado um crescimento de internações em leitos clínicos e de UTI, o que culminou em 11 regiões do modelo de Distanciamento Controlado classificadas em bandeira preta. Para conter o avanço do contágio, o governador determinou a suspensão geral de atividades, das 20h às 5h, pelo menos até as 5h do dia 2 de março.

No encontro, os três governadores deliberaram pelo encaminhamento conjunto, nos próximos dias, de um ofício ao Ministério da Saúde. “Queremos destacar os pontos aos quais o Ministério da Saúde precisa estar atento no que diz respeito à região Sul no enfrentamento à pandemia”, resumiu Leite. Entre os assuntos, estão a disponibilização de medicamentos necessários nas UTIs, devido ao expressivo aumento no número de internações, o custeio de leitos de UTI e a questão da distribuição de doses de vacinas aos Estados.

Os governadores de Santa Catarina e do Paraná relatam a mesma mudança de perfil que tem sido observada no Rio Grande do Sul: pacientes mais jovens, sem comorbidades, que permanecem mais tempo internados e ocupando leitos de UTI. Nos dois Estados, também foi possível observar um aumento rápido e crescente do número de internações e de casos confirmados de Covid-19.

Ambos os Estados se preocupam com a possibilidade da falta de medicamentos necessários ao tratamento dos pacientes e da dificuldade de reposição de recursos humanos para operar os leitos de UTI. A circulação de novas cepas do coronavírus é discutida no Paraná e em Santa Catarina como uma das causas da aceleração do contágio.

“A reunião confirmou aquilo que observamos: estamos vivendo uma situação semelhante, e isso reforça a necessidade de termos um contato mais direto. É importante alinharmos as informações”, destacou o governador.

Para isso, foi deliberada a criação de um grupo de trabalho, com participação das equipes técnicas da Secretarias da Saúde e de compilação de dados dos três Estados, a fim de permitir trocas e monitoramento conjunto da situação. A intenção é consolidar um boletim com informações mais relevantes em termos do avanço da pandemia na região Sul.

Os três chefes de Executivo pretendem, também, alinhar protocolos de enfrentamento à pandemia, em um esforço de coordenação entre os Estados.

Dados da região Sul

Na manhã desta terça, 23, a taxa de ocupação de leitos de UTI adulto no Rio Grande do Sul é de 86,4% – 2.327 leitos ocupados, de um total de 2.694. Os números da ocupação de leitos podem ser conferidos em tempo real no site.

Em Santa Catarina, dos 1.576 leitos de UTI ativos, 1.403 (89,02%) estão ocupados. No Paraná, são 1.253 leitos de UTI exclusivos para atendimento Covid-19, dos quais 1.143 (91%) estão ocupados.

De acordo com o Comitê de Dados, o Rio Grande do Sul, com 5,4% da população nacional, correspondeu a 1,9% do excesso de óbitos acumulados no país durante a pandemia em 2020. O Paraná, com população semelhante, respondeu por 3,1% do excesso de óbitos nacional. Santa Catarina, com 3,4% da população brasileira, correspondeu a 1,6%.

No que diz respeito à população acima de 60 anos, o Rio Grande do Sul tem 7,3% da população e, nesta faixa etária, o excesso de óbitos no Estado correspondeu a 1,7% do excesso de óbitos acumulado no país em 2020. O Paraná, com 5,9% da população, respondeu por 2,4% do excesso de óbitos nacional, e Santa Catarina, com 3,6% da população, correspondeu a 1,5%.